A prática de esportes como corrida de rua e as tradicionais “peladas” de fim de semana tem ganhado cada vez mais adeptos
Depois da nossa última matéria sobre a saúde dessa articulação, tão exigida pelos atletas, voltamos ao tema para falar de uma das lesões mais temidas: a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA). Com o crescimento das corridas de rua e o retorno em massa das “peladas” de fim de semana, aumentam também os casos de lesões nessa região – especialmente entre amadores que ainda não priorizam a prevenção. Com o aumento dessas atividades, também cresce o número de lesões nos joelhos.
Movimentos bruscos, mudanças rápidas de direção e impactos repetitivos são comuns em esportes como futebol, basquete e tênis, e representam um risco elevado para lesões. Segundo o ortopedista Leonardo Monteiro, especialista em joelho, essa é uma articulação que opera, muitas vezes, no limite da sua função.
“Sem preparo físico adequado, musculatura equilibrada e controle de peso, atividades mais intensas podem gerar sobrecarga e levar a danos estruturais. Quando não tratada corretamente, a lesão do LCA pode evoluir para um quadro de artrose precoce, com impacto direto
na qualidade de vida”, explica o médico.
Ele cita os sintomas da lesão do ligamento cruzado anterior: dor intensa, inchaço, derrame articular e sensação de instabilidade.
“Na maioria dos casos, o paciente relata ter ouvido um estalo no momento da lesão, seguido de dor aguda e inchaço imediato. A articulação fica instável, como se fosse ‘falhar’ a qualquer momento. Além disso, cerca de 80% dos casos apresentam derrame articular – inflamação com acúmulo de líquido dentro do joelho”, detalha o especialista.
Alguns fatores de risco devem ser levados em consideração, dentre eles, a interação entre calçado e tipo de solo; anatomia individual (como alinhamento do joelho e frouxidão ligamentar); fatores hormonais e biomecânicos; falta de força muscular e controle neuromuscular; sobrepeso e distúrbios metabólicos.
Segundo ele, as mulheres estão entre os grupos mais suscetíveis a esse tipo de lesão. “O formato anatômico do quadril feminino, geralmente mais largo, pode afetar o alinhamento do joelho, aumentando a pressão sobre o ligamento em certos movimentos. Além disso, variações hormonais ao longo do ciclo menstrual influenciam a elasticidade dos ligamentos, o que também pode elevar o risco de lesões”, explica o Dr. Leonardo Monteiro.
Prevenir lesões no LCA – A prevenção começa bem antes da prática esportiva e envolve uma rotina consistente de cuidados físicos. Algumas orientações importantes como:
- Fortalecer a musculatura das pernas com treinos específicos
- Realizar aquecimento adequado antes da atividade
- Trabalhar mobilidade e flexibilidade articular
- Evitar treinar em estado de fadiga
- Utilizar calçados adequados para cada modalidade
- Incluir exercícios de coordenação motora e controle postural
O uso de órtese, fisioterapia e cirurgia de reconstrução do ligamento são os tratamentos para a lesão do LCA, de acordo com Leonardo.
“Nem todos os casos exigem cirurgia. No entanto, para pacientes jovens, ativos ou atletas, a reconstrução do ligamento costuma ser indicada. Com o tratamento certo e uma reabilitação bem conduzida, é possível retornar com segurança à prática esportiva”, reforça o médico.
“A cirurgia é minimamente invasiva, feita com artroscopia, por meio de pequenas incisões. Em geral, usamos enxertos do próprio paciente, como o tendão patelar, o tendão do quadríceps ou os tendões flexores. A escolha do tipo de enxerto depende de fatores como a idade do paciente, o tipo e gravidade da lesão e o esporte que ele pratica”, afirma o ortopedista.
O tendão patelar, por exemplo, oferece mais estabilidade e costuma ser preferido em atletas de alto rendimento, enquanto os tendões isquiotibiais favorecem uma recuperação mais rápida, explica o ortopedista Leonardo Monteiro.
na qualidade de vida”, explica o médico.