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De 130 kg à ultramaratona: a jornada inspiradora do nutricionista Ítalo Ramos

26/05/2025

Por trás da imagem confiante do nutricionista esportivo Ítalo Ramos, existe uma história de superação que inspira não apenas seus pacientes, mas qualquer pessoa que já tenha enfrentado o peso — físico e emocional — da obesidade. Aos 16 anos, Ítalo chegou a pesar 130kg. Um número que, para muitos, significaria um ponto sem retorno. Para ele, foi o marco de uma virada.

Hoje, com mais de sete anos de atuação na área da nutrição esportiva e especializado em emagrecimento e obesidade, Ítalo é referência quando o assunto é transformação — e não só no corpo. Sua formação vai além da nutrição tradicional. Ele também é formado em psicoterapia e possui diversas especializações voltadas ao esporte, comportamento humano e saúde integral. Como próximo desafio pessoal, escolheu participar, em 6 de julho, da 12ª edição dos 100 km do Frio, entre as cidades de Garanhuns e Caruaru, no Agreste pernambucano.

Mas antes de se tornar o profissional que orienta atletas e pessoas comuns em busca de uma vida mais saudável, Ítalo precisou primeiro mudar a própria história. Em apenas 12 meses, perdeu impressionantes 70 kg. Um processo que envolveu uma prática regular de atividade física, interrompida por um grave acidente, mudanças profundas no comportamento e na mentalidade, mas que também trouxe consequências como desgaste ósseo pelo excesso de treinos e transtorno alimentar com origem em uma dieta restritiva, quando ainda estava na adolescência.

Na aprendizagem de luta contra os próprios desafios, sua rotina atual reflete a disciplina e o propósito que o guiam desde sempre. Alimentação equilibrada, treinos intensos e atendimento a pacientes compõem os dias de Ítalo, que enxerga sua profissão como uma missão. Ítalo não fala a partir da teoria. Ele viveu na pele os desafios do emagrecimento, da autoaceitação e da transformação verdadeira. Hoje, ele não é apenas um profissional da saúde. É a prova viva de que é possível reescrever a própria história.

O bate-papo super franco com ítalo Ramos é a dica do Radar Fitness.

Radar – Qual foi o ponto de virada que te fez decidir mudar de vida e começar o processo de emagrecimento?

Ítalo – Eu nunca digo que teve um único ponto de virada, mas um conjunto de pontos de virada. Eu tinha apelido na escola, dificuldade a pertencer a determinados grupos, como de futebol, porque eu era lento, não conseguia correr, não tinha fôlego. Essa minha própria sensação de incapacidade física em realizar atividades básicas do dia a dia, como subir e descer escadas. Fora que eu morava em Abreu e Lima (aproximadamente 20 km do Recife) e, para que eu conseguisse chegar na minha casa, precisava subir ladeiras enormes. Então, eu tinha dificuldade até de chegar na minha própria casa, por conta do peso. Passar na catraca de ônibus, assentos acessíveis que não tinha, nos lugares que eu ia, eu sempre pensava que eu ia sentar numa cadeira de plástico e a cadeira ia quebrar, porque ela não ia aguentar 130 quilos em cima dela. Outra coisa também que me pegava era achar roupas que me servissem. E também a sensação de rejeição pelas garotas da minha idade. Eu me sentia sempre fora daquela rodinha de pessoas atraentes por conta desse meu peso. Certa vez, meu amigo me chamou para começar a caminhar, bem cedinho, antes de ir para a escola. Nessa caminhada, ele falou: “vamos dar alguns trotes e depois você descansa”. E aí eu fui lá, dei o trotezinho, que seria aquela corrida leve, até o ponto que eu aguentasse. Lembro que, na primeira tentativa, eu não consegui passar dos 30 a 50 segundos correndo. Assim, todas essas questões formaram o grande ponto de virada de chave da minha vida para que eu começasse esse processo de emagrecimento. Mas, sem dúvida, nesse meu processo de perda de peso foi o exercício físico que fez a diferença.

Radar – Como foi o seu processo de perda de 70kg em apenas 12 meses? Qual foi o maior desafio?

Ítalo – Esse processo começou justamente no comecinho de 2012, em janeiro. Eu tinha acabado de completar 16 anos, logo, a perda total desses 70 quilos aconteceu justamente nesse ano. Chegou um determinado dia e eu disse assim pra mim mesmo: chega, preciso urgentemente mudar essa minha situação. Nesse ponto, eu já tinha testado muita coisa, até dietas prescritas por nutricionistas, dieta da sopa. Em todas elas eu até perdi uma determinada quantidade de peso, mas depois, acabei recuperando. Dessa vez, eu queria fazer diferente. Passei a fazer uma dieta, uma alimentação muito mais restrita do que aquelas que eu já tinha feito anteriormente e, mesmo assim, eu continuei fazendo ela porque eu que tinha escolhido fazer diferente. Precisei abrir mão não só da comida em si, pra fazer essa dieta irrestrita que eu mesmo tinha feito. Lembrando que eu não era nutricionista ainda na época, tinha ali meus 16 anos, nem cogitava fazer essa graduação de nutrição. Mas aí eu precisei realmente abrir mão não só da comida, como também de saída com amigos, aniversários, comemorações na escola, ou mesmo com a família, pois eu acreditava que aquilo me atrapalharia de alguma forma. E meu maior desafio, por incrível que pareça, era não ver mudanças na velocidade que eu desejava, principalmente na balança. Porque, nas semanas seguintes, eu cheguei a perder 5, até mesmo 6 quilos. Então, em semanas que eu não perdia nada de peso, ou até mesmo meu peso aumentava, eu ficava a ponto de surtar.

Radar – Em algum momento você pensou em desistir? O que te manteve firme?

Ítalo – Sim, com certeza. Várias vezes pensei em desistir. Principalmente, quando o meu peso não alterava na velocidade que eu queria. Pelo tanto de esforço que eu imprimia durante o dia ali para conseguir esse emagrecimento. O cansaço também batia forte, pois minha dieta, como eu já disse, era bastante restrita. Eu acordava, às 4h pra caminhar até mais ou menos 5h30. Quando eu chegava da caminhada, já tinha que me organizar pra ir pra escola. Eu estudava num colégio integral que começava às 7h30. Quando eu chegava dessa caminhada, antes de ir para a escola, eu bebia um copo de leite e seguia. Isso era o meu café da manhã, que me sustentava até a hora do almoço. No almoço, eu comia na escola o que eles serviam por lá. Sempre escolhia arroz, salada e a carne que estava sendo servida naquele dia. Pronto, isso ia me segurar até o treino que acontecia à noite. Eu também comecei, junto com a caminhada, a fazer musculação. Ao largar do colégio, por volta das 17h, eu ia diretamente para a academia. Então, eu já ia para a academia com os amigos lá do colégio, apenas com aquelas duas refeições. E aí eu treinava das 18h às 19h30. Voltava para casa e tomava outro copo de leite antes de dormir.

Radar – Como sua relação com a comida e com seu corpo mudou nesse período?

Ítalo – Bom, após ter perdido esses 70 quilos em 12 meses, eu desenvolvi transtorno alimentar. Mais especificamente, transtorno alimentar não especificado, pois meus comportamentos, as coisas que eu fazia ali, não fechavam o diagnóstico X. Misturavam-se entre anorexia nervosa e bulimia. Pesando ali já entre 70 e 60 quilos, minhas roupas todas caindo, eu ainda me via em condição de sobrepeso e obesidade. No espelho, eu ainda estava me vendo gordo. Logo, quando eu comia um pedaço de bolo ou algo que eu considerasse fora da dieta, eu saía para fazer algum exercício físico naquela hora. E assim, quando o exercício de nenhuma forma era possível, eu já tinha feito muito ou estava muito cansado, eu vomitava tudo o que eu tinha comido, com medo de engordar novamente. Aí, já vimos que também tinha algo relacionado desmofia corporal que envolve um foco da pessoa ali obsessiva, porque eu não me via magro. Então, quando eu comia alguma coisa fora da dieta, eu achava que eu ia engordar e tinha todos esses comportamentos.

Radar – O que te motivou a se tornar nutricionista depois de passar por essa transformação?

Ítalo – Na época que eu emagreci, ali já no finalzinho do meu último ano do ensino médio, eu sofri um grave acidente de carro. Eu tinha acabado de completar 17 anos e fui atropelado. Nesse ponto da minha trajetória, eu já estava pesando entre 79 e 70 quilos. Então, eu tinha perdido mais ou menos, 60 quilos de peso no total. Mas eu ainda estava dentro do processo de emagrecimento. No acidente, muita coisa aconteceu no meu corpo. A mandíbula fraturou, tive vários cortes por todo o corpo, muitas escoriações. Mas o que mais me pegou nisso tudo foi a fratura no quadril. Eu fiquei sem poder andar e a curva de recuperação indicava que eu ia conseguir me levantar da cama mais ou menos após dois ou três meses do acidente. Então, aquilo me desesperou, pois na minha cabeça de adolescente, eu não poderia mais voltar a correr e logo me veio o pensamento de que eu engordaria tudo novamente. Lembrando que uma das coisas que me fez querer emagrecer foi mostrar para as outras pessoas que eu tinha controle sobre minhas escolhas, sobre mim. E, do nada, eu perdi todo esse controle.

Então, esse acidente foi muito marcante, principalmente porque me aproximou de pessoas que eu nem sabia que me conheciam. Uma dessas pessoas foi Felipe Pereira, que hoje é treinador de referência mundo afora. Após um mês do acidente, com toda a perseverança do mundo, eu já estava andando. Em fevereiro, de fato, eu consegui ali retomar boa parte das coisas. No meio do ano de 2013, eu comecei a cursar edificações, mas não demorou muito tempo para eu perceber que ali não era o meu lugar. Eu desisti do curso técnico e, um certo dia, o Felipe me chamou pra treinar com ele. Aí ele me explicou muita coisa da graduação de Educação Física e falou da Nutrição, uma coisa que ele entendia muito também. E ele me orientou a fazer as duas (graduações). Uma, depois a outra. Foi daí que eu comecei a pesquisar mais sobre. E, daí em diante, toda a minha vida se direcionou para a nutrição de fato. Para a questão da alimentação, mais ainda.

Radar – Como a sua experiência pessoal influencia o seu trabalho hoje com seus pacientes?

Ítalo – Viver tudo o que eu vivi, ter passado, ter trilhado aquele caminho… a graduação e minhas especializações me deram todo o conhecimento teórico da coisa, mas a prática é totalmente diferente, pois cada pessoa tem uma experiência de vida diferente, aprendizados diferentes, histórias diferentes, contextos absolutamente diferentes umas das outras. A teoria serve pra dar um norte, mas é a experiência prática faz você conseguir. Ter vivido na pele todo esse processo a restrição de comida, a falta de energia, falta de força, as vontades de chutar o balde e desistir de tudo por diversas vezes fazem toda a diferença nas minhas condutas com cada paciente, pois quando ele não consegue executar alguma coisa que, sei lá, eu sugeri para ele, orientei para ele fazer, entendo que não tem a ver com força de vontade, disciplina, motivação, como a gente é acostumado a acreditar. Tem todo um conjunto, tem todo um contexto de forças ali que se somam para ele não conseguir dar continuidade naquele projeto que ele está buscando.

Radar – Qual é a maior lição que você aprendeu ao longo dessa trajetória?

Ítalo – Eu tenho até tatuado essa lição no meu peito hoje: “Porque o homem não para nunca”. Então, não é sobre parar e ficar recomeçando. Sabe o “segunda-feira eu começo novamente”? É sobre a gente começar e jamais, em hipótese alguma, parar. Mude a rota, trace novas estratégias, trace novas metas, o que for, mas não pare. Imagina numa corrida, uma ultramaratona. Cheguei num trecho de uma subida íngreme e eu vou parar, vou desistir de correr minha ultramaratona porque eu cheguei num trecho íngreme ou eu vou fazer esse percurso caminhando? Provavelmente eu vou fazer esse percurso caminhando. Vou economizar energia e sempre continuar em frente. Então, a lição é: você não precisa tentar novamente se você nunca parar. Então, se uma pessoa começa, vai ter desafio, vai ter dificuldade. Mas, se ela nunca parar, ela nunca precisa recomeçar. Às vezes ela vai rápido, às vezes devagar. Mas sempre seguindo em frente, sem parar por qualquer coisa que lhe aconteça aí durante esse processo.

Radar – O que você diria para alguém que está começando uma jornada parecida com a sua?

Ítalo – Vá pelo caminho certo, pois por mais que demore, a direção correta é mais importante do que a velocidade com que se percorre o caminho. Eu já trilhei vários caminhos, principalmente em relação a dietas e estratégias mirabolantes. E geralmente tudo isso vem acompanhado de consequências, principalmente as indesejadas, seja a longo ou curto prazo. Eu tenho bastante desgaste na cartilagem da patela do joelho esquerdo, pois além do peso nesse joelho que eu tinha ali de 130 quilos (e forçava o corpo), havia inúmeras carências nutricionais por conta da minha dieta extremamente restrita. Todo excesso traz consigo um resultado, traz consigo uma consequência. E quando falamos do corpo, muitas vezes esses resultados, essas consequências, são irreparáveis. Não tem como voltar mais atrás. Esse meu desgaste na cartilagem não tem o que fazer. O transtorno, eu não posso apertar no botão e não ter mais transtorno. O transtorno, ele tem controle, mas ele não tem cura. Eu o carrego pro resto da vida agora. Então, seria isso. Comece pelo caminho certo.

Radar – Como surgiu a ideia de participar de uma ultramaratona?

Ítalo – A corrida foi minha aliada desde o início (do processo de emagrecimento). Comecei com aquela caminhada com um amigo. Quando eu passava 5 a 10 segundos a mais correndo do que da última vez, aquilo me trazia uma satisfação muito grande. Conforme meu peso foi baixando, eu passei a correr cada vez por mais tempo. Isso me animava. Também percebi que, durante a corrida, eu me sentia em paz. Era uma forma de meditação ativa – que eu não entendia muito bem naquela época. Quando eu estava correndo, mesmo sentindo dores ali, por conta do meu peso, mais tranquilo eu ficava. Aí comecei a pesquisar muito mais sobre corridas, sobre como correr mais longe. Em 2020, eu desejei correr uma maratona. Justamente o ano da pandemia. Eu estava me preparando sozinho, era com as minhas pesquisas da internet, assim como eu fiz a dieta lá atrás da minha cabeça, que deu certo ali no sobrepeso e obesidade. Eu ainda não tinha nenhuma prova em vista, eu só queria estar pronto caso eu conseguisse participar de uma. Não sabia como faria a maratona. No dia 29 de março de 2020, eu saí de casa com… Eu até brinco com isso: eu saí com uma garrafinha de água, umas mariolas e um sonho. Nesse dia, já tinha sido justamente decretado o fechamento total dos estabelecimentos, tudo mais, você tinha que de fato ficar em casa. Não me orgulho disso que eu fiz, mas enfim, saí de casa, coloquei a máscara e fui. Saí de Abreu e Lima e fui subindo pela BR. Cheguei no Recife pela BR 101, cruzei a Avenida Norte e voltei pela outra BR. Totalizando, no final disso, minha primeira maratona, os 42 quilômetros, feito sozinho, sem plateia, sem suporte, sem ninguém. A corrida, ela tem um lugar muito especial na minha trajetória.

Mas aí, depois da maratona, por algumas lesões e contextos, minha rotina de corrida caiu bastante. Embora eu nunca tenha deixado de correr meus 20, 30 quilômetros semanais, eu realmente tive essa questão da diminuição da quilometragem durante esse período de 2021 e 2022, até agora, em 2024. No comecinho de 2025, duas pessoas – que não se conhecem – me procuraram para ajudá-las a se preparar nutricionalmente para a maratona delas. E aí, eu fiquei pensando comigo mesmo. Passei por isso, né? Como na condição de sobrepeso e obesidade. Já passei, no caso, pela maratona, né? Eu já tinha feito maratona, inclusive sozinho. Diferente do processo de emagrecimento, a corrida, eu posso continuar vivendo tudo isso na pele. Eu posso incluir a corrida na minha rotina (já com o objetivo em mente de uma ultramaratona). A partir daí, ouvindo desses pacientes que eles me viam como inspiração, eu comecei a aumentar minhas quilometragens semanais. Então, eu comecei, de forma gradativa, a ir aumentando a quilometragem. “Estou precisando passar por novas experiências e desafios dentro da minha rotina”, pensei. Afinal, eu gosto de viver na pele, vencer meus limites e mostrar do que eu sou capaz.

Radar – Qual é a rotina de treinos que você está seguindo desde o dia 18 de abril, quando decidiu fazer a sua primeira ultramaratona?

Ítalo – Além da corrida, a musculação sempre fez parte da minha trajetória. Minha rotina anterior a essa questão da preparação para a ultra, consistia basicamente em correr três vezes por semana e treinar musculação ali pelo menos quatro vezes por semana. Porém, pelo fato de o foco agora ser justamente a ultra, eu passei a inverter um pouquinho. Agora, ao invés de correr 3 vezes, eu passei a correr 5 vezes por semana e treino musculação 3 vezes. Eu acordo sempre umas 4h, por ali, e durmo também cedo, entre 20h e 20h30. Pra que meu corpo tenha toda a recuperação que ele precisa, porque pra gente ter uma rotina dessa de treinos, pra gente conseguir ter uma performance boa, e quando eu falo de performance, eu não falo só de velocidade, se uma pessoa conseguir correr 2km e depois ela começa a conseguir correr 3, 4, isso tem a ver com a performance que está melhorando e isso se dá não só pela parte da nutrição como também pela parte do treinamento e, principalmente, pelo descanso, que não é só uma pessoa não treinar, é a pessoa de fato dormir. O corpo precisa disso e aí eu tenho essa rotina de fato de acordar bem cedinho.

Radar – Que tipo de alimentação você tem seguido durante o treino?

Ítalo – Não sei você, mas eu adoro comer. Enfim, pegando esse gancho de gostar muito de fato comer, eu prefiro toda a minha alimentação, toda a minha estratégia baseada principalmente em comida. A suplementação tem seu espaço, mas eu prefiro sempre trabalhar ali, principalmente com comida. Antes das corridas ou do treino de musculação, que fazem parte da minha rotina, mais especificamente de 4 a 6 horas antes desses treinamentos, que é o tempo médio que o corpo precisa pra digerir, assimilar, armazenar esse combustível que a gente vai usar durante o treino, faço uma boa refeição com carboidratos (pão, arroz, macarrão, batatas, frutas, grãos, aveia, granola e também, junto aos carboidratos, as proteínas, como ovo, frango, peixe). Na musculação, não há necessidade de comer nada durante o treinamento. Já na corrida, quando a gente passa ali de 60, 80 minutos de movimento, há uma necessidade de começarmos a ingerir novos combustíveis. E aí, basicamente, de suplementação de carboidrato, eu uso o carbogel e a maltodextrina, pra intercalar ali com os outros alimentos (pão, rapadura). Outra coisa que não podemos esquecer durante as corridas, principalmente as de mais longa duração, é a hidratação. Para isso eu uso a água e os repositores.

Radar – Como você está lidando com os desafios físicos e mentais dessa preparação?

Ítalo – Eu poderia aqui agora muito bem dizer que é extremamente difícil fazer tudo isso, que está sendo muito desafiador, ou que às vezes bate a vontade de desistir, bate o desânimo, mas não, tá? Vou ser muito sincero. Hoje trago algo comigo que aprendi desde a minha época que comecei o processo de emagrecimento que é, se eu escolhi fazer o que faço, não existem barreiras, sacrifícios ou sofrimentos. Se existir alguma coisinha ali no caminho, eu vou passar por cima dela então, eu posso até correr e dizer que não existirão barreiras intransponíveis nem sacrifícios ou sofrimento. Foi uma escolha minha de bom grado. Eu escolhi aquilo, então não tem sofrimento nas minhas escolhas. Logo, pensando dessa forma, entendo que o processo deve ser prazeroso.

Radar – Onde você se imagina nos próximos anos — tanto como atleta quanto como profissional de saúde?

Ítalo – Pergunta difícil essa, porque hoje eu vivo exatamente como eu queria viver nos próximos dias, semanas, meses e anos da minha vida. Imagina que tudo que eu trilho e tenho hoje eu desejei isso em algum momento. Portanto, hoje eu foco principalmente no meu momento presente, porque eu já tenho e já faço tudo aquilo que me satisfaz, sempre progredindo sempre mostrando a mim mesmo que sou capaz de muito mais. Daqui a 5 ou 10 anos não vai estar muito diferente isso aqui não, porque eu estou extremamente satisfeito com tudo que eu faço, com tudo que eu construí e com tudo que eu levo para as pessoas de uma forma genuína. Os ensinamentos, as ideias, a forma de trabalhar.

Radar – Que mensagem você gostaria de deixar para quem acha que não consegue mudar?

Ítalo – Olha, depois de tudo que eu vivi nessa trajetória, nessa caminhada, entendo que se alguém pensa que não consegue alguma coisa, ou ela acha que não consegue mudar, ela está num contexto que lhe direciona a pensar e imaginar tudo isso. Pensa comigo, para algumas pessoas vai ser óbvio que ela não vai conseguir mudar, porque o contexto, o ambiente, as pessoas com quem ela convive, os lugares que ela frequenta fazem com que ela pense dessa forma. Vou dar um exemplo: até sexta-feira passada (16 de maio), quase virando um mês de projeto, que teria duração de 87 dias, eu decidi que minha primeira ultramaratona não vai ser mais a de 50 km, vai ser agora a de 100 km. Eu precisei andar, na verdade me cercar de corredoras que fazem isso aí, mas mudei e agora vou correr os 100 km do Frio, que vai de Garanhuns até Caruaru, na sua 12ª edição. Então, eu dobrei literalmente a minha meta só por conviver com pessoas que estavam fazendo muito mais do que eu almejava fazer. Comecei a prestar atenção naquelas pessoas que me procuravam pra ajudá-las a realizar uma estratégia nutricional pra maratona. É tudo sobre ambiente. Então, a mensagem ou a lição seria: se você acha que não consegue mudar, você só está no ambiente errado. Mude de ambiente e você mudará seu modo de pensar e ver o mundo à sua volta. E se você consegue mudar o seu modo de pensar e de ver o mundo à sua volta, os resultados que você desejar, você fará de tudo para conseguir alcançá-los, porque, agora, você sabe que por conta dessa mentalidade que mudou, por conta do teu ambiente, que você é super capaz de atingir o inimaginável.

 

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