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Exercício físico reduz risco de recidiva e aumenta sobrevida após tratamento de câncer de cólon, aponta estudo internacional

10/06/2025

Apresentado na ASCO 2025, o maior congresso de oncologia do mundo, o estudo CHALLENGE revelou que a prática estruturada de atividade física após o tratamento do câncer de cólon reduz significativamente o risco de recidiva e aumenta a sobrevida dos pacientes. A pesquisa, liderada por cientistas canadenses e publicada no New England Journal of Medicine em 1º de junho, repercutiu amplamente na imprensa internacional, incluindo veículos como o The New York Times.

O estudo clínico randomizado envolveu 889 pacientes com câncer de cólon em estágio III ou II de alto risco, tratados com cirurgia e quimioterapia. Os participantes foram acompanhados ao longo de cerca de oito anos. Aqueles que integraram um programa supervisionado de exercícios físicos — composto principalmente por caminhadas rápidas de 45 minutos, quatro vezes por semana — apresentaram 28% menos risco de recidiva ou surgimento de um novo tumor e uma redução de 37% no risco de morte. A intervenção teve duração de três anos e contou com apoio profissional.

“Estamos diante de uma evidência científica robusta que reforça a urgência de integrar o exercício físico aos programas de acompanhamento oncológico”, afirma a oncologista Luciana Landeiro, diretora do programa de survivorship do Grupo Oncoclínicas, em Salvador. “Essa prática simples, segura e acessível pode salvar vidas.”

Na oncologia, o termo survivorship se refere ao acompanhamento contínuo de pacientes após a fase mais intensa do tratamento, com foco na qualidade de vida e na prevenção de recidivas. Os cuidados envolvem aspectos físicos, emocionais, sociais e financeiros. “Mesmo depois do fim do tratamento, o paciente precisa de suporte para lidar com efeitos tardios ou persistentes da doença”, explica a especialista.

Além dos benefícios clínicos, os participantes que seguiram o programa de exercícios relataram melhora sustentada da função física. A boa adesão ao plano reforça a importância de metas claras e apoio estruturado no sucesso das estratégias de autocuidado no pós-tratamento.

De acordo com os autores do estudo, o exercício físico vai além de um complemento: trata-se de uma intervenção terapêutica com impacto direto na sobrevivência. Ele influencia processos biológicos relacionados ao reaparecimento do câncer, como inflamação, regulação hormonal, sensibilidade à insulina e vigilância imunológica.

Para Landeiro, o estudo CHALLENGE é um marco. “Ele reforça a necessidade de incorporar a atividade física supervisionada aos planos de cuidado oncológico no Brasil, especialmente no SUS, onde o câncer de cólon cresce de forma preocupante, inclusive entre os mais jovens.”

O câncer de cólon afeta a porção do intestino grosso entre o ceco e o reto. No Brasil, é o segundo tipo mais frequente entre homens e mulheres — atrás apenas dos cânceres de mama e próstata, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa para 2025 é de 45.630 novos casos da doença no país. Na Bahia, são esperados 1.940 diagnósticos apenas neste ano.

“O estudo aponta um novo caminho para o cuidado oncológico, baseado na reabilitação e promoção da saúde”, conclui Landeiro. “É hora de adaptar essas estratégias à realidade brasileira e transformar o pós-tratamento em uma fase ativa de recuperação e prevenção.”

Foto: Acervo Oncoclínicas