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Entre o sol, a chuva e o suor têm o clique que eternizam a superação

Fotógrafos de corridas de rua revelam o olhar sensível por trás das imagens que inspiram atletas e contam histórias de vida

21/06/2025

Todos os dias, enquanto o sol nasce sobre as águas do litoral pernambucano, ou até mesmo diante de um temporal, uma cena se repete: atletas correm, pedalam, treinam e, são discretamente acompanhados por um clique certeiro. Pelas praias e avenidas de Olinda e até mesmo da Região Metropolitana do Recife, fotógrafos de rua vêm ganhando espaço e reconhecimento por eternizarem momentos de superação, disciplina e beleza do esporte ao ar livre.

Na linha de largada, os passos são apressados, os corações acelerados. Mas no meio do percurso, ou mesmo depois da linha de chegada, há algo que permanece: o instante congelado na lente de quem registra não só o movimento, mas a emoção. Os fotógrafos de corridas de rua estão por toda parte, atentos, quase invisíveis, mas com um papel essencial: eternizar histórias de superação, conquista e pertencimento.

Mas quem são esses profissionais que, entre a areia e o calçadão ou até mesmo entre as avenidas movimentadas, transformam suor em arte? Nesta matéria especial, conversamos com os fotógrafos que estão por trás das lentes, registrando o movimento e a alma de quem faz da orla seu campo de batalha diário.

O primeiro clique: caminhos diferentes, paixões em comum

Seja por paixão antiga pela arte, pela natureza, ou pela própria corrida, cada fotógrafo chegou a esse universo por uma rota particular. Anderson Batista começou como corredor amador e viu na fotografia uma forma de unir paixão e propósito. Já Patrícia, ex-atleta que precisou parar de correr por recomendação médica, encontrou na câmera uma forma de seguir próxima do esporte que ama.

 

 

Marney Queiroz, antes habituado a registrar aves e paisagens, se encantou com a corrida ao reencontrar a emoção humana nos cliques. Salathiel, que começou com fotos de natureza no celular, viu sua história mudar após um amigo emprestar uma câmera. Jhonatan, artista por essência, trouxe para a fotografia esportiva o mesmo olhar que aplica na arquitetura, na música e nas artes visuais. Para ele, o movimento dos atletas é mais do que esporte: é arte viva.

Laços que vão além da lente

Mais do que profissionais por trás das câmeras, esses fotógrafos se tornaram parte da cena das corridas. Com o tempo, muitos construíram amizades sólidas com os atletas, e passaram a ser esperados em cada prova, como figuras familiares no meio da multidão.

Anderson comenta que alguns corredores até voltam para refazer a pose perfeita. Marney já virou ponto de referência no percurso, recebendo cumprimentos e sorrisos espontâneos. Patrícia, que já dividia o asfalto com muitos deles, mantém vínculos que resistem ao tempo. Para Jhonatan, a relação é quase artística: “cada clique é construído junto, no ritmo da confiança”, diz.

 Emoção capturada: histórias que tocam

A fotografia tem o poder de revelar o que nem sempre se vê. Entre tantos relatos, alguns marcaram profundamente. Anderson relembra o depoimento da atleta Flávia, que superou doenças degenerativas e descreveu a imagem capturada como “o momento único” de uma nova vida.

Jhonatan recebeu de um corredor o elogio mais simbólico: “foi a primeira vez que me vi como arte”. Marney também viveu um episódio inesquecível: correu alguns metros ao lado de uma atleta cansada, fez a foto e depois soube que aquilo a impulsionou a terminar a prova. Para Salathiel, ouvir que alguém começou a correr ao se ver em uma de suas imagens é muito gratificante.

Desafios da rua: clima, segurança e o tempo certo

Fotografar ao ar livre e em movimento exige mais do que técnica – é preciso sensibilidade, rapidez e resiliência. A luz muda, o clima vira, o cenário é imprevisível. Marney destaca os desafios da segurança, já que muitos fotógrafos chegam ainda de madrugada com equipamentos caros. Patrícia também reforça o risco do trânsito aberto em algumas provas.

Já Anderson e Jhonatan falam da complexidade técnica de capturar o corpo em movimento sem perder o foco, e da necessidade de “sentir” o instante certo. Apesar de tudo, a rua oferece liberdade, espontaneidade e verdade, ingredientes que não se fabricam em estúdio.

Fotografar é emocionar: o papel das imagens na valorização do esporte

Para todos os entrevistados, a fotografia vai além do registro: é um meio de valorizar o esforço e a beleza do esporte de rua. As imagens circulam nas redes sociais, são usadas como fotos de perfil, viram quadros na parede, motivam outros a correr e ajudam atletas a se enxergar com orgulho.

“É como um abraço silencioso”, define Jhonatan. Anderson reforça: “tem dias que o clique é o que falta pra o atleta continuar”. Salathiel acredita que cada emoção – seja o primeiro 5Km ou uma maratona – merece ser eternizada. Patrícia resume bem: “foto é momento mágico”.

Entre a multidão que corre, há sempre um olhar atento, pronto para registrar o instante que ninguém mais viu. Com técnica, arte e afeto, esses fotógrafos capturam o invisível: a força silenciosa de quem transforma o asfalto em palco e a corrida em expressão. Em cada imagem, um retrato não só do atleta, mas da humanidade em movimento.

 

Fotos: Cedidas pelos entrevistados