Nos siga e fale conosco

Do Sertão ao pódio: Justino Pedro, o melhor brasileiro na Maratona do Rio 2025, inspira com história de superação

23/06/2025

Aos 40 anos, o pernambucano Justino Pedro da Silva acaba de conquistar mais um marco em sua trajetória: foi o melhor brasileiro na Maratona do Rio 2025, realizada neste domingo (22), e subiu ao pódio no terceiro lugar geral de uma das provas mais emblemáticas da América Latina. Mas por trás da medalha há uma história de luta, fé e resistência, desde a infância no Sertão até a consagração como atleta de elite no cenário internacional.

Natural de Dormentes, interior de Pernambuco, Justino conheceu a corrida por acaso. “Fizeram uma prova de 10km na cidade e premiavam com uma bicicleta. Como minha família era muito pobre, me inscrevi na esperança de ganhar, mas nunca tinha corrido antes”, lembra. O resultado surpreendeu: ele terminou em terceiro lugar. O prêmio foi simbólico, mas o impacto, duradouro. “Fiquei muito feliz com aquele brinde. Foi ali que tudo começou.”

Hoje morando em Petrolina, Justino coleciona cerca de 700 medalhas. “Já dei algumas para fãs e amigos, mas todas têm valor. A mais especial é a da Maratona Pan-Americana, em Caracas, onde fui campeão e quebrei o recorde da prova em 2023.”

A paixão pelas longas distâncias veio com o tempo e os desafios. “No início, eu tinha medo da maratona. Achava a distância impossível. Mas com apoio do meu treinador, topei o desafio e, em 2021, fui campeão e recordista da Maratona do Rio”, conta.

Desistir – Apesar das conquistas, a caminhada nunca foi fácil. Em vários momentos, Justino pensou em desistir. “Faltava patrocínio, apoio. Às vezes eu estava treinando na rua e as pessoas zombavam de mim, diziam que eu era vagabundo. Mas continuei, por mim e pela minha família.” Em 2021, viveu o que considera sua prova mais dura: a Maratona de João Pessoa. “Cheguei exausto, com cãibras. Pensei que nunca mais correria uma maratona. Minutos depois, já queria correr outra.”

Além das pistas brasileiras, Justino também brilha no exterior. Já competiu na Venezuela, Alemanha, Espanha e Hungria, representando o Brasil em mundiais e provas internacionais. Sua melhor marca foi registrada em Sevilha: 2h12min29s.

A rotina de treinos é intensa. “Treinamos de segunda a sábado, às vezes duas vezes por dia. Chego a rodar entre 180 e 220 km por semana. Quando o foco é uma grande prova, a gente se isola na Serra dos Morgados, na Bahia, só para treinar e descansar.” Fora das pistas, Justino divide o tempo entre a faculdade de Educação Física, a vida em família e a função de exemplo para jovens atletas.

Mas nem só de glórias se constrói um campeão. Justino relembra um período difícil, após o fim do patrocínio com a equipe do Cruzeiro. “Me envolvi com álcool, perdi a família, a dignidade. Cheguei a viver como um mendigo. Mas Deus me deu força. Faz mais de seis anos que não bebo. Hoje sou melhor do que antes.”

Para o futuro, Justino sonha com uma despedida simbólica: correr a Maratona de Berlim. “Estava inscrito no ano passado, mas fui convocado para o Mundial em Budapeste e tive que adiar. Ainda vou realizar esse sonho.”

Justino finaliza com um recado: “Pratique esporte. O esporte muda a vida das pessoas. Mudou a minha.”

 

Fotos: Cedidas pelo atleta