Nos últimos meses, casos de mal súbito em provas de corrida voltaram a chamar atenção do público e da comunidade esportiva. Embora ainda sejam considerados raros, os eventos cardiovasculares graves durante a prática de exercícios – especialmente em provas de longa distância – acendem um alerta para a importância da avaliação médica e da escuta atenta aos sinais do próprio corpo.
Para entender o que está por trás desses episódios e como preveni-los, conversamos com o cardiologista Dr. Carlos Japhet da Matta Albuquerque, do Hospital Santa Joana, no Recife. Ele esclarece dúvidas frequentes, como o que pode causar uma parada cardíaca durante o esforço físico e quais sintomas não devem jamais ser ignorados.
“A parada cardíaca durante o exercício é geralmente causada por arritmias graves”, explica o médico. Em atletas jovens, as principais causas são doenças cardíacas hereditárias ou estruturais, como cardiomiopatia hipertrófica ou anomalias das coronárias. Já entre os praticantes acima dos 35 anos, o infarto agudo do miocárdio relacionado à aterosclerose costuma ser o vilão mais comum.
Jovens também correm riscos – Apesar da associação dos eventos cardíacos com pessoas mais velhas, Dr. Carlos destaca que jovens também estão sujeitos a riscos, especialmente os que têm histórico familiar de morte súbita ou fazem uso de substâncias como anabolizantes.
“O uso de substâncias ilícitas ou anabolizantes também eleva o risco, mesmo em pessoas aparentemente saudáveis”, alerta o cardiologista.
Sinais de alerta: quando parar tudo – Durante a corrida ou o treino, o corpo dá sinais quando algo não vai bem. Dor no peito, palpitações intensas, tontura, sudorese fria e falta de ar desproporcional ao esforço são sintomas que exigem parada
imediata da atividade e avaliação médica urgente.
“Esses sintomas podem indicar isquemia, arritmia ou outras condições potencialmente fatais. O exercício, nesses casos, deve ser interrompido sem hesitação.”
Antes de iniciar uma rotina de treinos mais intensos – como preparação para uma prova de corrida – o ideal é passar por uma avaliação cardiológica completa. Um dos exames indicados é o teste de esforço (ou teste ergométrico), que avalia a resposta do coração sob carga.
“A avaliação médica permite identificar condições cardíacas ocultas e orientar o treino de forma mais segura. É uma medida preventiva essencial, sobretudo para pessoas com mais de 35 anos ou com comorbidades.”
Apesar de atletas profissionais, em geral, contarem com acompanhamento contínuo, os amadores não estão isentos de riscos e, muitas vezes, negligenciam exames e avaliações.
“É comum que os atletas amadores subestimem os riscos e não façam exames preventivos. Isso aumenta a vulnerabilidade, especialmente em provas mais exigentes.”
Dr. Carlos também defende a integração entre profissionais de saúde e da educação física, como uma das formas mais eficazes de prevenção.
“A comunicação entre médicos e educadores físicos é essencial. O planejamento dos treinos deve respeitar as limitações médicas e os sinais apresentados por cada pessoa.”
Com responsabilidade, o exercício salva vidas – O cardiologista é taxativo quando afirma que: praticar atividade física é vital para a saúde cardiovascular, desde que feita com responsabilidade e acompanhamento adequado. “O exercício deve ser sinônimo de qualidade de vida, não de risco. Ouça o seu corpo, respeite seus limites e nunca negligencie a avaliação médica,” alerta.
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