A infância é feita de movimento. Correr, pular, dançar, explorar o mundo com o corpo em ação. E é justamente nessa fase que a atividade física se torna uma poderosa aliada da saúde, do bem-estar e da formação de hábitos que podem durar por toda a vida.
De acordo com a Dra. Alexsandra Costa, presidente da Sociedade de Pediatria de Pernambuco (Sopepe), a atividade física deve ser incentivada desde os primeiros anos de vida – mas com o olhar certo: “Até os 6 anos, o ideal é promover o movimento livre e brincadeiras ativas. A partir dessa idade, a criança já tem mais coordenação, atenção e compreensão de regras, o que permite a introdução de práticas mais estruturadas, como esportes coletivos”.
Já a personal trainer Mayra Cruz, especialista em treinos para crianças e adolescentes, reforça que o estímulo pode começar cedo: “A partir dos 3 anos, já podemos propor atividades lúdicas que envolvam coordenação motora. E com o tempo, a criança vai naturalmente desenvolvendo gosto pela prática, construindo um estilo de vida mais saudável e ativo”.
Os benefícios da prática regular de atividade física nessa fase da vida vão muito além da saúde corporal. Os especialistas destacam melhorias em áreas como atenção, concentração, autoestima e até desempenho escolar.
“Há ganhos no sistema cardiovascular, na força muscular e no controle do peso, mas também no emocional e no social. A criança se sente mais segura, aprende a lidar com regras, a conviver, a resolver conflitos e a trabalhar em equipe”, explica a Dra. Alexsandra.
Mayra reforça a importância da atividade física na formação da identidade e da consciência corporal. “A criança começa a se reconhecer como praticante de uma modalidade, entende seus limites e o do outro, aprende sobre empatia e convívio em grupo. É uma construção diária que vai além da estética”, diz.
Diretrizes e cuidados
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa para crianças de 5 a 17 anos, incluindo exercícios que fortaleçam músculos e ossos, três vezes por semana. Mas, mais do que seguir números, é importante respeitar a individualidade.
“É fundamental observar o estágio de desenvolvimento de cada criança, fazer uma avaliação médica prévia e, principalmente, respeitar suas preferências. Forçar ou exagerar pode gerar lesões e até traumas emocionais”, alerta a pediatra.
Mayra complementa: “Algumas crianças levam mais tempo para desenvolver certas habilidades. Um profissional capacitado vai saber adaptar o treino sem gerar frustração ou sobrecarga”.
Uma dúvida comum entre pais e responsáveis é se a prática de esportes pode interferir no crescimento. A resposta, segundo a Dra. Alexsandra, é clara: atividade física, feita de forma equilibrada, favorece o crescimento, estimulando a produção do hormônio do crescimento (GH) e
promovendo saúde óssea e muscular. No entanto, o excesso, especialmente em esportes de alto rendimento iniciados precocemente, pode trazer riscos.
“Treinos muito intensos, restrições alimentares ou pressão psicológica por desempenho podem afetar o desenvolvimento físico e emocional. Por isso, o acompanhamento pediátrico é essencial”, reforça a médica.
O exemplo vem de casa e da escola também
Para que o hábito da atividade física seja natural, é preciso incentivo constante, e isso, começa dentro de casa. “As crianças reproduzem os comportamentos dos adultos. Se os pais se movimentam, treinam, levam os filhos para parques ou academias com espaço kids, despertam o interesse e plantam essa semente”, afirma Mayra.
A escola também tem papel central nesse processo. “Ela é o berço do conhecimento e precisa oferecer vivências práticas e teóricas sobre atividade física, saúde e bem-estar. A educação física vai muito além do esporte: é uma ferramenta para formar cidadãos mais saudáveis e conscientes”, completa a personal.
O cenário atual, segundo Mayra, é animador. “Hoje, temos muito mais opções de modalidades para meninos e meninas, e cada vez mais crianças praticando mais de um esporte. Não existe uma fórmula. O importante é movimentar o corpo e, principalmente, se divertir.”
Fotos: Cedidas e autorizadas pela Personal
Foto da médica: Divulgação