Nos siga e fale conosco

Suplementos e desempenho físico: quando o atalho vira risco

Especialistas alertam para os perigos do uso indiscriminado de substâncias com promessa de ganho rápido de massa e rendimento nos treinos

30/07/2025

A busca por um corpo definido e por mais desempenho nos treinos tem levado muitos praticantes de atividade física a apostarem em suplementos e substâncias com promessas rápidas, nem sempre seguras. O problema é que, sem orientação adequada, o que era para ser um aliado pode se transformar em uma ameaça à saúde.

Os suplementos alimentares são indicados para quem não consegue atingir suas metas nutricionais por meio da alimentação convencional. Podem ser utilizados, por exemplo, para complementar a ingestão de proteínas, vitaminas ou minerais. “Eles são muito úteis para pessoas com dietas monótonas, dificuldades de absorção ou necessidades aumentadas, como é o caso dos atletas”, explica o nutrólogo Selênio Campos Filho, professor de Nutrologia Esportiva da Afya Educação Médica Recife. “Mas o consumo deve ser orientado por profissionais.”

Apesar de popularizados como ‘auxiliares do treino’, os suplementos não são isentos de riscos. Muitos produtos disponíveis no mercado carecem de estudos que comprovem sua eficácia ou segurança a longo prazo. E o uso excessivo pode causar efeitos colaterais importantes. “Há casos graves de lesões renais, arritmias e hiperestimulação, especialmente com o uso de pré-treinos e outras substâncias estimulantes”, alerta o especialista.

Sinais de alerta – Taquicardia, distúrbios do sono, inquietação, alterações urinárias e até formigamentos podem ser sinais de que algo está errado. “Dependendo do suplemento, os sintomas variam. Por isso, qualquer efeito adverso deve ser investigado. O suplemento pode estar por trás do problema de saúde”, reforça Selênio.

Quanto ao suplemento, termogênico ou anabolizante, Selênio Campos explicou que é comum as pessoas confundirem essas substâncias. “Mas elas têm funções e riscos diferentes. Os termogênicos buscam aumentar o gasto calórico, embora os efeitos reais sejam pequenos e nem sempre seguros. Já os anabolizantes são substâncias hormonais que promovem ganho de massa muscular, mas com riscos ainda mais elevados à saúde. A cafeína e a capsaicina são os únicos termogênicos com alguma evidência de segurança, mesmo assim, têm efeito termogênico muito discreto”, pontua o nutrólogo.

Ele alerta que a maioria dos suplementos não é indicada para menores de 12 anos, especialmente os voltados ao desempenho esportivo, como creatina e pré-treinos. “Suplementos de ferro ou vitamina D podem ser utilizados em crianças, mas com indicação médica. No caso de adolescentes, é ideal que estejam na fase pós-estirão puberal”, destaca. Quanto às diferenças entre homens e mulheres, não há evidência clara de riscos distintos, embora os homens, por desenvolverem mais cardiopatias precoces, possam ser mais sensíveis aos estimulantes.

O especialista orienta que antes de pensar em qualquer suplemento, o praticante de atividade física deve priorizar três pilares: alimentação, hidratação e treino adequado. “Esses fatores têm muito mais impacto na performance do que qualquer substância. Tenho atletas campeões olímpicos no consultório que nunca suplementaram e atingiram alta performance com comida e treino. Suplemento não é o que te faz evoluir”, afirma.

Selênio é categórico: “A suplementação jamais substitui uma alimentação equilibrada. Ela pode ajudar, mas nunca será o ponto de partida. A base de tudo é o prato bem montado e individualizado para o tipo de atividade, rotina e objetivo da pessoa.”

A crença de que só é possível alcançar resultados com o uso de substâncias é um mito perigoso. “Existe, sim, evolução com constância, disciplina e orientação adequada. A suplementação pode ser um coadjuvante, mas jamais a estrela principal do seu progresso.”