A cada passada e som ritmado da respiração, há muito mais do que treino. Há conversas silenciosas, olhares de incentivo e abraços depois da linha de chegada. Neste Dia dos Pais, histórias de afeto entre pais e filhos mostram que a corrida pode ser o fio invisível que une gerações, um gesto de amor que se mede não em quilômetros, mas em exemplo, cuidado e inspiração para a vida inteira.
A relação entre Anderson Holanda e seu pai, Lula Holanda, fundador da Acorja, grupo criado em 2005 que se tornou referência no cenário das corridas de rua em Pernambuco, é um desses exemplos. Lula começou a correr em 2004 e rapidamente se transformou em um motivador nato, capaz de contagiar todos ao seu redor.
Anderson, no entanto, demorou a seguir os passos do pai. Durante a adolescência, viveu uma fase turbulenta, marcada por hábitos prejudiciais e pela luta contra a depressão e a obesidade. Foi apenas em 2013, já adulto, que deu seus primeiros passos na corrida. O marco definitivo aconteceu em 2014, no aniversário de 60 anos de Lula, quando o pai completou 60 voltas na Jaqueira.
“A importância do meu pai na minha trajetória como corredor é primordial. Ele foi a principal influência para eu entrar nesse universo. A corrida nos reaproximou e hoje é o nosso maior elo. Ver a vitalidade dele aos 72 anos, com a alegria de uma criança, é muito bonito e motivante. Quero continuar correndo ao lado dele por muitos anos”, conta Anderson, emocionado.
Outra história que reforça essa herança esportiva é a de Enildo Torres, ultramaratonista com mais de 25 anos de estrada (literalmente). Para sua filha, Juliana Torres, também corredora, ele é o pilar que mantém toda a família no caminho da saúde.
“Painho é a inspiração da nossa família quando o assunto é saúde e bem-estar. Ele já completou 76 maratonas e nos enche de orgulho. Inspirou meu esposo e agora meu filho Vinícius, que segue o mesmo caminho. Sua história é nossa maior inspiração”, declara Juliana.
O jovem Vinícius Rocha, neto de Enildo e filho do ultramaratonista Vicente Rocha, também vive a corrida como um elo familiar.
“Entrei na corrida por causa do meu pai, que sempre me motivou. Sou grato porque ele nunca me deixou desistir. Mesmo que precisemos sair de casa às 4 da manhã, seguimos correndo ‘ombro a ombro’. Ele é meu exemplo em tudo”, afirma Vinícius.
E não é preciso falar de corridas para que o orgulho seja o mesmo. Para Geraldo Júnior, ver seu pai, Geraldo Silva, mantendo uma rotina de atividade física é motivo de admiração e meta pessoal.
“Tenho orgulho de ver meu coroa praticando exercício físico. É um exemplo para mim e um objetivo a ser alcançado quando eu chegar à idade dele”, diz Júnior.
Histórias como essas mostram que, na corrida, o legado vai muito além dos troféus. Ele está nos passos dados lado a lado, nas madrugadas acordadas para treinar, no incentivo silencioso e no abraço depois de cruzar a linha de chegada. Neste Dia dos Pais, o verdadeiro pódio é ocupado por aqueles que inspiram pelo exemplo, e correm, juntos, para uma vida mais saudável e feliz.
Fotos: Cedidas pelos entrevistados