Quando o asfalto dá lugar à natureza, a corrida revela uma nova experiência de desafio e conquista. E desafios não faltam para quem se aventura em uma trail run (corrida de trilha), seja enfrentando trechos de terra, lama, areia ou pedras. Em Pernambuco, essa modalidade encontra um terreno fértil para crescer, impulsionado pela diversidade territorial do estado e por corredores em busca de uma vivência que vá além do convencional. É nesse cenário que o Project Trail Run (PTR), primeira startup brasileira dedicada ao esporte, vem redesenhando o mapa das corridas ao ar livre. Formado no Recife, o grupo tem colecionado histórias de superação e união entre atletas, valorizando sempre o aspecto humano e inspiracional que torna a corrida em trilha uma experiência transformadora.
O sucesso da etapa de Serra Negra, realizada neste mês, é a prova de que o PTR vem se destacando e somando novos membros à comunidade. A competição reuniu mais de 700 atletas, contou com 50 voluntários e criou uma
atmosfera vibrante de superação, amizade e respeito pela natureza. A programação incluiu percursos de 7 km, 17 km e 27 km, além da corrida kids, reforçando a proposta de formar novas gerações de amantes do esporte. “Foi a prova mais elogiada pelos atletas até aqui. Então, sentimos que a experiência está dando certo”, celebra Willian Brito, head técnico do PTR. Sobre o projeto, ele emenda: “A nossa intenção é propor uma conexão com a natureza e fazer com que esse atleta saia um pouco da rotina. Então, quando você vai fazer aquele treino no verde, na mata, e começa a contemplar a natureza, acaba esquecendo um pouco o teu dia a dia, da rotina, e só contempla”, destaca.
Desde sua criação, em 2023, o projeto vem explorando a diversidade geográfica de Pernambuco para criar percursos únicos e imersivos. As provas já passaram pela Mata Norte (Goiana), o litoral (Porto de Galinhas e Itapuama), o Agreste (Gravatá e Serra Negra) e áreas de Mata Atlântica remanescente no Grande Recife e Jaboatão dos Guararapes. Com mais de cinco mil corredores mobilizados e nove mil seguidores ativos nas redes sociais, o PTR ultrapassa a ideia de um evento esportivo: tornou-se uma comunidade de entusiastas da natureza, da superação e da coletividade.
Para Carmen Tavares, corredora há mais de 13 anos e com participação em mais de 10 provas em trilha, inclusive sendo pódio por mais de uma vez em provas, trocar o barulho dos carros
pelo som do vento nas árvores transformou a sua visão sobre a corrida. “Na trilha, aprendi que não importa a velocidade. Essa modalidade não me cobra o tempo, mas exige resiliência. Cada passo sobre as raízes, cada subida íngreme e cada descida técnica me ensinam a tomar decisões rápidas e a valorizar o presente. É a oportunidade de desacelerar o mundo lá fora e me conectar profundamente com a natureza. Adoro a precisão do asfalto, mas sou apaixonada pela sabedoria e a beleza da trilha”, celebra Carmem.
Experiências: Fun, Fast e Adventure
Para abarcar os diferentes níveis de experiência, os sócios Willian Brito, Henrique Cordeiro, Waldenberg Mendes e Lúcio Poncioni, à frente do PTR, criaram três categorias em provas. A boa notícia é
que, apesar dos desafios, há espaço para os iniciantes. As ações de comunicação do grupo, como a criação de conteúdo explicando o que é a corrida de trilha e seus benefícios, indicam um esforço para educar e atrair novos praticantes para a modalidade, principalmente corredores de rua, tornando as corridas em trilha acessíveis a quem não tem experiência prévia. As categorias propostas pelo PTR são: Fun, voltada para iniciantes; Fast, para corredores intermediários; e Adventure, destinada aos atletas mais experientes e amantes de grandes desafios. A proposta reflete a filosofia do projeto: ninguém fica de fora.
“Todos podem participar das nossas provas. O que sugerimos é que essas pessoas tenham um primeiro contato com essa modalidade, porque é diferente você correr no asfalto. O terreno do trail run é bem mais acidentado, exige mais atenção e até um controle postural, porque tem subidas e descidas. Então, para isso, nós oferecemos treinões que incluem pequenas palestras, a gente leva material de uso, as mochilas, os bastões, e mostra o tipo de tênis mais indicado para a modalidade”, detalha Willian.
Sustentabilidade e segurança
Comprometido com o meio ambiente, o PTR não utiliza copos ou garrafas plásticas nos pontos de hidratação. Cada atleta é incentivado a levar o seu próprio reservatório e recolher o lixo gerado. O projeto também criou o “limpa-trilha”, função dedicada à coleta das fitas de sinalização logo após o evento, garantindo que as trilhas permaneçam intactas. A segurança é outro ponto de destaque. As provas contam com staffs fixos e móveis, bombeiros civis, carros 4×4 e até apoio especializado em fauna local, assegurando que o percurso seja seguro do início ao fim.
Destaque feminino
Um diferencial do PTR é a Comissão Feminina, formada por Micheline, Leninha e Silvana, que escutam as corredoras e propõem melhorias específicas, desde estrutura sanitária adequada até treinos exclusivos para mulheres.
Novas trilhas pela frente
O calendário do Project Trail Run segue em expansão. Dia 15 de novembro, às 06h30, Itapuama, no Cabo de Santo Agostinho, será palco de um treinão feminino. As inscrições são limitadas e, por isso, vale a pena ficar de olho no @projecttrailrun.
Para 2026, o grupo planeja novas etapas e treinões em diferentes regiões do estado, com o propósito de democratizar a corrida de trilha e oferecer experiências cada vez mais seguras e inspiradoras. “Nós queremos mostrar que Pernambuco tem trilhas e paisagens espetaculares. O Nordeste pode, e deve, ser referência em trail run no Brasil”, afirma Brito. O PTR também quer atrair mais corredores de asfalto e já observa esse movimento: novos grupos e comunidades estão surgindo inspirados pela iniciativa. “Acreditamos que temos um pezinho nessa evolução”, completa.
Serviço:
Project Trail Run
@projecttrailrun
Fotos: Divulgação