Nos siga e fale conosco

Dor nos pés pode comprometer a corrida e aumentar o risco de lesões

16/01/2026

Para quem corre regularmente, qualquer desconforto nos pés merece atenção. Dores persistentes ou recorrentes podem ser um sinal de alterações estruturais, capazes de interferir na pisada, na biomecânica da corrida e no desempenho esportivo. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), cerca de 20% da população até os 69 anos relata algum tipo de dor nos pés ou tornozelos – número que ultrapassa 50% entre pessoas acima dessa faixa etária.

Entre corredores, o impacto repetitivo potencializa os efeitos dessas alterações, que muitas vezes passam despercebidas até o surgimento de lesões.

Os  quadros mais comuns estão o pé plano (chato) e o pé cavo, condições que alteram o arco plantar e a distribuição das cargas durante a corrida. O médico ortopedista especialista em pé e tornozelo Fernandes Arteiro explica que a diferença está no formato do arco.

“No pé cavo, o arco é excessivamente elevado, concentrando a pressão no calcanhar e no antepé. Já no pé chato, quase toda a planta do pé entra em contato com o solo, aumentando o impacto a cada passada”, detalha.

De acordo com o especialista, essas alterações comprometem o sistema natural de amortecimento do pé. “Isso pode gerar dores não só nos pés e tornozelos, mas também nos joelhos, quadris e coluna, além de aumentar o risco de instabilidade, sobrecarga muscular e lesões por esforço repetitivo, muito comuns entre corredores”, alerta.

Sinais que não devem ser ignorados

Alguns sintomas funcionam como sinais de alerta, especialmente para quem pratica esportes de impacto:

  • Dor ou sensibilidade na planta do pé, tornozelos ou pernas
  • Sensação de rigidez ao iniciar ou finalizar os treinos
  • Alterações no padrão da corrida ou da caminhada
  • Inchaço frequente nos pés ou tornozelos
  • Inclinação excessiva dos tornozelos para dentro
  • Formação de calos no calcanhar, laterais do pé e antepé
  • Deformidades nos dedos, como dedos em garra

Ignorar esses sinais pode levar à queda de rendimento e ao afastamento temporário das atividades esportivas.

O que favorece o surgimento das alterações

A predisposição genética é um dos principais fatores, mas não o único. Segundo Fernandes Arteiro, traumas, doenças neuromusculares, hiperlaxidez ligamentar, obesidade e diabetes podem contribuir para o desenvolvimento do pé chato. Já o pé cavo costuma estar associado a distúrbios neurológicos, como a doença de Charcot-Marie-Tooth, AVC, paralisia cerebral e sequelas da poliomielite.

Tratamento e prevenção

Na maioria dos casos, o tratamento é conservador, com foco na correção da pisada e na redução do impacto:

  • Fisioterapia
  • Exercícios de fortalecimento e alongamento
  • Uso de palmilhas ortopédicas personalizadas
  • Ajuste do calçado esportivo

“Para corredores, conhecer o próprio tipo de pisada e usar um tênis adequado é fundamental para evitar compensações posturais e reduzir o risco de lesões nos tornozelos, joelhos e coluna”, orienta o especialista.

Em situações específicas, quando o tratamento conservador não apresenta resultado ou há progressão da deformidade, a cirurgia pode ser indicada. “Hoje utilizamos técnicas minimamente invasivas, que permitem correção do alinhamento do pé com menor trauma e recuperação mais rápida”, afirma Fernandes Arteiro.

Cuidar da saúde dos pés é tão importante quanto planejar treinos e provas. Para corredores, a avaliação médica especializada pode fazer a diferença entre evoluir com segurança ou conviver com dores que comprometem a performance e a qualidade de vida.

Fernandes Arteiro é médico ortopedista, especialista em cirurgia do pé e tornozelo, com atuação na Clifor Olinda, Hospital Santa Joana, Hospital Esperança, SOLB, Ortho, Hospital Português e Hospital da Restauração.