Para muitas famílias de crianças neurodivergentes, a rotina é marcada por terapias, consultas e uma carga intensa de responsabilidades. Momentos de lazer, autocuidado e convivência social ainda são, muitas vezes, raros. Pensando nisso, uma ação realizada no Recife propõe algo simples e poderoso: oferecer uma manhã de movimento, cuidado e inclusão para crianças e seus responsáveis.
A iniciativa acontece no próximo dia 31 de janeiro, das 9h às 12h, reunindo crianças atendidas pela Associação de Mães e Anjos Azuis, da comunidade do Caçote, no bairro de Areias, em uma programação especial com atividades físicas, recreação e ações de cuidado pessoal promovido pelo Instituto Dimitri Andrade, que está completando 10 anos.
Entre as atividades voltadas para as crianças estão banho de mangueira, natação, circuito funcional, oficinas de artes, musicalização e brinquedos infláveis — experiências que estimulam o desenvolvimento motor, sensorial e social de forma lúdica e acessível. Para os cuidadores, a programação inclui serviços como salão de beleza, maquiagem, massagem e orientações nas áreas de nutrição, comunicação alternativa e direitos jurídicos.
Segundo a psicóloga Frínea Andrade, idealizadora da ação, o objetivo vai além da recreação. “As famílias atípicas vivem uma rotina muito intensa, focada quase exclusivamente nas necessidades dos filhos. Criar um espaço de lazer e autocuidado é também uma forma de promover saúde mental, fortalecer vínculos e lembrar que quem cuida também precisa ser cuidado”, afirma.
A proposta dialoga diretamente com estudos que apontam os benefícios da atividade física para crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, especialmente no estímulo à autonomia, coordenação motora, interação social e regulação emocional. Ao mesmo tempo, ações voltadas aos cuidadores ajudam a reduzir níveis de estresse, ansiedade e sobrecarga emocional.
Além das atividades, ao final do evento as famílias receberão cestas básicas e lanche, reforçando o caráter social da iniciativa, que conta com apoio de
instituições parceiras nas áreas de educação, beleza e serviços públicos.
Mais do que uma comemoração, a ação se insere em um movimento crescente de olhar para a saúde de forma ampliada – considerando não apenas o tratamento clínico, mas também o direito ao lazer, à convivência e à qualidade de vida para pessoas neurodivergentes e suas famílias.