Nos siga e fale conosco

Atividade física pode ser aliada importante na fertilidade e na saúde reprodutiva

29/01/2026

A prática regular de exercícios físicos vai muito além da estética e do condicionamento. Cada vez mais, especialistas destacam que um estilo de vida ativo pode influenciar diretamente a saúde reprodutiva de homens e mulheres, ajudando inclusive quem está tentando engravidar.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 10% e 15% dos casais em idade reprodutiva enfrentam dificuldades para engravidar. Dentro desse cenário, hábitos como a prática de atividade física ganham relevância por contribuírem para o equilíbrio hormonal, a melhora da circulação sanguínea, o controle do peso corporal e a redução do estresse – fatores que impactam diretamente o funcionamento do sistema reprodutivo.

Segundo a médica Genevieve Coelho, diretora médica do IVI Salvador, o exercício físico, quando realizado de forma regular e orientada, pode favorecer tanto a fertilidade feminina quanto a masculina. “A atividade física contribui para o equilíbrio hormonal, melhora o funcionamento do organismo como um todo e ajuda a reduzir fatores que podem dificultar a concepção”, explica.

Nas mulheres, os exercícios moderados auxiliam na regulação do ciclo menstrual e na produção de hormônios ligados à ovulação, como estrogênio e progesterona. Além disso, ajudam no controle do peso — aspecto importante, já que tanto o excesso quanto a falta de gordura corporal podem gerar desequilíbrios hormonais. Em casos como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), a atividade física também pode melhorar a sensibilidade à insulina e favorecer a regularidade do ciclo.

Entre os homens, estudos indicam que quem pratica exercícios de intensidade moderada tende a apresentar melhor qualidade do sêmen quando comparado a indivíduos sedentários. A prática regular contribui ainda para a redução do estresse, melhora do sono e manutenção de níveis adequados de testosterona, hormônio fundamental para a produção de espermatozoides.

Outro ponto importante é o impacto do exercício sobre o bem-estar emocional. Durante a atividade física, o corpo libera substâncias como endorfina e serotonina, que ajudam a reduzir o cortisol, conhecido como o hormônio do estresse. Em níveis elevados, ele pode interferir negativamente na fertilidade. “Um estado emocional mais equilibrado favorece o funcionamento do organismo como um todo, inclusive do sistema reprodutivo”, reforça a especialista.

Apesar dos benefícios, o alerta é para o excesso. Treinos muito intensos, exaustivos ou sem orientação podem provocar queda nos níveis hormonais, irregularidade menstrual e até ausência de ovulação. A OMS recomenda entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada, como caminhada, natação, musculação leve ou hidroginástica.

Mesmo para quem está passando por tratamentos de reprodução assistida, como inseminação artificial ou fertilização in vitro (FIV), a prática de exercícios pode ser mantida, desde que com adaptações. Atividades de baixo impacto são as mais indicadas, especialmente em fases como a estimulação ovariana.

Para os especialistas, a atividade física é uma peça importante dentro de um conjunto de cuidados que favorecem a fertilidade. Alimentação equilibrada, controle do estresse, abandono do tabagismo, moderação no álcool e acompanhamento médico completam esse caminho em direção a uma gestação mais saudável.

Fotos: Divulgação