Eles prometem foco, disposição, resistência e rendimento imediato. Estão presentes nas baladas, nas academias, nas maratonas de estudo e até na rotina de trabalho. Mas por trás da sensação de energia instantânea, as bebidas energéticas escondem um alerta importante para o coração.
De acordo com Marcelo Magalhães – cardiologista e professor da Afya Jaboatão, os energéticos são bebidas estimulantes compostas principalmente por cafeína, açúcar (ou adoçantes), taurina e extratos como guaraná. A combinação dessas substâncias atua diretamente no sistema nervoso central – e no sistema cardiovascular.
No organismo a cafeína bloqueia a adenosina, substância responsável pela sensação de cansaço. Com isso, o corpo entra em estado de alerta. Há também a liberação de adrenalina e dopamina, que aumentam o ritmo cardíaco, a disposição e até a sensação de euforia.
O açúcar, quando presente em grandes quantidades, é absorvido rapidamente, gerando um pico de glicose que funciona como combustível imediato. Já a taurina potencializa os efeitos estimulantes.
O resultado? Mais energia, foco e redução temporária da fadiga. Mas o coração sente, alerta o médico. “Essas substâncias aumentam a frequência cardíaca, podem elevar a pressão arterial e provocar palpitações”.
Em situações que exigem atenção sustentada – como longas jornadas de estudo ou trabalho – os energéticos podem melhorar o estado de alerta. No esporte,
especialmente em atividades de endurance, a cafeína pode reduzir a percepção de esforço e aumentar temporariamente o desempenho físico. Os efeitos são passageiros e exigem moderação.
O risco por trás da disposição
Segundo o cardiologista, o consumo excessivo ou frequente pode provocar: aumento da pressão arterial; taquicardia; arritmias; insônia; ansiedade; tremores e sobrecarga cardiovascular. “Em casos mais graves, há risco de arritmias importantes, hipertensão severa e até morte súbita,” alerta.
Pessoas com hipertensão, arritmias, ansiedade, cardiopatias, gestantes e crianças devem evitar o consumo. Jovens também estão em grupo de risco. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que menores de 18 anos não consumam energéticos, devido aos impactos no organismo em desenvolvimento.
Estudos associam o consumo regular em jovens ao aumento de ansiedade, irritabilidade e até síndrome do pânico.
Energético com álcool: combinação perigosa
Misturar energético com bebida alcoólica é um dos hábitos mais preocupantes. A cafeína mascara os efeitos depressores do álcool, fazendo com que a pessoa beba mais do que imagina. O risco de desidratação aumenta, assim como as chances de sobrecarga cardíaca. O alerta é claro: a combinação pode potencializar riscos cardiovasculares e comportamentais.
Antes do treino: ajuda ou ameaça?
Tomar energético antes da atividade física pode até aumentar o foco e o rendimento momentâneo. No entanto, não é considerado totalmente seguro.
O estímulo extra pode elevar demais a frequência cardíaca e a pressão arterial durante o esforço físico, aumentando o risco de arritmias, especialmente em quem já possui alguma predisposição.
Usar essas bebidas para “render mais” na academia pode representar um empréstimo perigoso ao próprio coração.
E se o consumo for diário?
O uso frequente pode gerar consequências cumulativas: insônia, nervosismo, ansiedade, alterações na pressão e dependência do estímulo para funcionar no dia a dia. O corpo começa a cobrar a conta.
Alternativas naturais
Para quem busca mais disposição de forma equilibrada, existem opções naturais como:
- Guaraná em pó
- Chá verde
- Chá-mate
- Chá de gengibre
- Hibisco
Ainda assim, o ideal é priorizar sono de qualidade, alimentação equilibrada e hidratação adequada – as verdadeiras fontes de energia sustentável.
O principal alerta
“O consumo regular de energético pode trazer sérios danos à saúde física e mental”, reforça o especialista, deixando um recado direto para jovens, atletas e foliões: “Use com consciência, moderação e respeito aos seus sinais físicos. O objetivo é aproveitar o momento – não transformar diversão ou desempenho em risco.”