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Cafeína em excesso pode prejudicar o treino, o sono e a recuperação muscular

27/03/2026

Café, pré-treinos, energéticos e até refrigerantes fazem parte da rotina de muitos praticantes de atividade física. A cafeína, quando usada com moderação, pode melhorar o foco, aumentar a disposição e até ajudar no desempenho durante os treinos. Mas o consumo excessivo pode gerar o efeito contrário: queda de rendimento, sono ruim e dificuldade de recuperação muscular.

Foi o que percebeu o jornalista José Paulo Nunes, 55 anos, que durante anos manteve uma rotina pesada de cafeína. “Eu tomava café o dia inteiro para dar conta do trabalho. Só depois vieram a ansiedade, a insônia e os batimentos acelerados. Quando reduzi, comecei a dormir melhor e a me sentir mais disposto”, conta.

Para quem treina, o impacto vai além do cansaço. Segundo a nutricionista Darah Marques, professora do curso de Nutrição da Estácio, o excesso de cafeína pode provocar irritabilidade, aumento da frequência cardíaca, ansiedade, tremores, dores de cabeça e distúrbios gastrointestinais — sintomas que prejudicam diretamente a qualidade do treino e a recuperação. “O sono, que é um dos pilares da evolução física, costuma ser um dos primeiros a ser afetado”, explica.

E dormir mal significa treinar pior. A privação de sono está ligada à queda de força, piora da coordenação, maior risco de lesões e menor recuperação muscular. Ou seja, o excesso de estimulantes pode estar sabotando exatamente aquilo que a pessoa busca: mais desempenho e resultados.

Quanto é demais?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a FDA, o consumo seguro de cafeína para adultos saudáveis é de até 400 mg por dia, o equivalente a cerca de quatro a cinco xícaras de café coado. O problema é que a cafeína não está apenas no café: ela aparece também em chás, chocolates, refrigerantes e, principalmente, nos energéticos e pré-treinos — o que facilita ultrapassar esse limite sem perceber.

No Brasil, o consumo dessas bebidas vem crescendo, especialmente entre jovens e praticantes de atividade física, que buscam mais energia para estudar, trabalhar ou treinar.

Apesar disso, a cafeína não é vilã. “Em doses adequadas, ela pode melhorar o estado de alerta, acelerar o metabolismo e ajudar no desempenho físico. O problema está no excesso e no uso constante ao longo do dia”, reforça Darah Marques.

Para quem quer mais energia sem comprometer a saúde, a nutricionista destaca que alimentação equilibrada, hidratação e sono de qualidade continuam sendo os melhores aliados do rendimento esportivo. “Estimulantes não substituem hábitos saudáveis. Eles só potencializam quando o básico está bem feito”, resume.

No fim das contas, ouvir os sinais do corpo é tão importante quanto seguir qualquer planilha de treino.

Fotos: Divulgação