O uso de medicamentos como o Mounjaro, indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes, tem impulsionado uma perda de peso mais rápida e significativa. Mas, ao mesmo tempo em que os benefícios metabólicos se consolidam, especialistas chamam atenção para possíveis impactos desse processo sobre ossos, músculos e tendões.
Dados apresentados em um congresso de ortopedia realizado nos Estados Unidos, em março, apontam que fármacos da classe dos agonistas de GLP-1 podem estar associados à redução da densidade mineral óssea e ao aumento da fragilidade, especialmente em regiões como quadril e coluna. A explicação está na diminuição da carga mecânica: com menos peso corporal, o estímulo necessário para manter os ossos fortes também reduz.
“Quando o paciente emagrece em pouco tempo, o organismo pode responder com perda de densidade óssea”, explica o ortopedista Sormane Britto, especialista em tecnologia e performance. Segundo ele, a perda acelerada de peso também pode vir acompanhada de redução de massa muscular e alterações na biomecânica, aumentando o risco de lesões.
Nesse contexto, a prática de exercícios físicos – especialmente os de força – torna-se fundamental. “Exercício de força não é complemento, é estratégia essencial. Ele ajuda a preservar a musculatura e a proteger o corpo durante o emagrecimento”, destaca.
Com a popularização desses medicamentos, a ortopedia passa a lidar com um novo perfil de paciente: mais leve, porém potencialmente mais vulnerável do ponto de vista estrutural. Para o especialista, o cuidado deve ser individualizado e integrado. “O desafio é garantir que a perda de peso aconteça sem comprometer a estrutura do corpo”, afirma.
Tecnologia como aliada
Ferramentas de avaliação de composição corporal, análise de desempenho e exames de densidade óssea têm contribuído para um acompanhamento mais preciso. “Hoje conseguimos monitorar com mais exatidão como o corpo responde a esse processo”, diz Sormane.
Apesar dos avanços, ele reforça que o acompanhamento médico e a prática orientada de exercícios são indispensáveis. “Se o paciente emagrece sem preservar
massa muscular e sem ajustar a carga de treino, o risco de lesões – como problemas musculares, tendíneos e até fraturas – aumenta”, alerta.
Mais do que perder peso, o foco passa a ser manter força, estabilidade e saúde musculoesquelética ao longo de todo o processo.
Foto: Divulgação
“Quando o paciente emagrece em pouco tempo, o organismo pode responder com perda de densidade óssea”, explica o ortopedista Sormane Britto, especialista em tecnologia e performance. Segundo ele, a perda acelerada de peso também pode vir acompanhada de redução de massa muscular e alterações na biomecânica, aumentando o risco de lesões.