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Metabolismo feminino: por que emagrecer pode ser mais difícil para algumas mulheres?

05/05/2026

Uma dúvida frequente nos consultórios é: por que, mesmo com dieta equilibrada e prática regular de exercícios, muitas mulheres ainda enfrentam dificuldade para perder peso?

A resposta, na maioria das vezes, está no funcionamento do próprio organismo. Diferente do que muitos imaginam, o emagrecimento não depende apenas de disciplina. No corpo feminino, os hormônios têm papel central na forma como o metabolismo funciona e na maneira como a gordura é armazenada.

De acordo com a endocrinologista Leila Gonzaga, fatores hormonais influenciam diretamente a composição corporal das mulheres. “Naturalmente, a mulher possui um percentual de gordura maior. Além disso, o organismo passa por variações hormonais ao longo da vida – como no ciclo menstrual, na gestação, no pós-parto e na menopausa – e isso impacta o metabolismo”, explica.

Entre os principais hormônios envolvidos está o estrogênio, responsável, entre outras funções, pela distribuição da gordura corporal. Já a progesterona pode contribuir para a retenção de líquidos, especialmente no período pré-menstrual. Outro ponto de atenção é a resistência à insulina, condição cada vez mais comum e que favorece o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal.

“Nem sempre é falta de esforço. Muitas vezes, o organismo está respondendo a um desequilíbrio hormonal que precisa ser investigado”, destaca a especialista.

Com o avanço da idade, essas mudanças tendem a se intensificar. A partir dos 35 ou 40 anos, a queda gradual do estrogênio pode levar à redução da massa muscular e, consequentemente, à diminuição do gasto energético basal. Esse cenário torna o ganho de peso mais fácil e o emagrecimento mais desafiador, especialmente quando não há ajustes na alimentação e na rotina de treinos.

Outro fator que pesa na balança é o estresse. A rotina acelerada, comum à maioria das mulheres, contribui para o aumento dos níveis de cortisol – hormônio relacionado ao estresse -, que pode estimular o apetite, aumentar a vontade por alimentos calóricos e favorecer o acúmulo de gordura abdominal.

Dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) mostram que mais da metade da população adulta brasileira está acima do peso. No caso das mulheres, o desafio tende a ser ainda maior devido às constantes oscilações hormonais ao longo da vida.

Diante desse cenário, a recomendação é evitar soluções rápidas e buscar uma abordagem individualizada. “Cada mulher tem um perfil metabólico único. O tratamento precisa levar em conta exames hormonais, composição corporal, histórico de saúde e rotina. Não existe fórmula pronta”, reforça Leila Gonzaga.

Mais do que alcançar um número na balança, o processo de emagrecimento deve estar ligado ao cuidado com a saúde. Entender o próprio corpo, respeitar seus ciclos e buscar orientação profissional são passos essenciais para resultados mais consistentes e duradouros.

Foto: Divulgação