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Transtornos alimentares crescem entre jovens e preocupam especialistas

01/06/2026

A busca incessante por padrões estéticos, a influência das redes sociais e a popularização de dietas restritivas têm contribuído para o aumento dos transtornos alimentares, especialmente entre adolescentes e adultos jovens. No Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, celebrado neste dia 2 de junho, especialistas reforçam a importância de identificar os sinais precocemente e buscar ajuda profissional.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas convivem com algum transtorno alimentar no mundo. Entre os quadros mais comuns estão anorexia nervosa, bulimia, compulsão alimentar e transtorno alimentar restritivo evitativo.

Mais do que uma questão relacionada à alimentação, essas condições envolvem aspectos emocionais, psicológicos e comportamentais que podem comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

De acordo com a nutricionista da PAD Saúde, Ana Franciane, um dos principais desafios é reconhecer os sinais iniciais da doença.

“Muitas pessoas acreditam que os transtornos alimentares estão sempre associados a uma perda de peso muito evidente, mas isso nem sempre acontece. Sentimentos constantes de culpa após comer, medo excessivo de determinados alimentos, episódios de compulsão ou restrições alimentares sem orientação profissional também merecem atenção”, explica.

A especialista destaca que o tratamento exige uma abordagem multidisciplinar. “São doenças complexas e que precisam ser acompanhadas por profissionais de diferentes áreas, incluindo nutricionistas, psicólogos e médicos. Quanto mais cedo ocorre o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação”, afirma.

Entre os sinais de alerta estão alterações bruscas de peso, isolamento durante as refeições, preocupação excessiva com calorias, prática exagerada de atividade física, episódios de compulsão alimentar e mudanças frequentes de humor. Em crianças e adolescentes, a observação da família e da escola pode ser determinante para a identificação precoce.

Outro aspecto que preocupa os especialistas é o impacto das redes sociais na construção da imagem corporal. A exposição constante a corpos considerados perfeitos, dietas da moda e promessas de transformação rápida pode aumentar a insatisfação corporal e favorecer comportamentos de risco.

“Vivemos uma cultura de comparação permanente. Muitas vezes, os jovens são expostos diariamente a padrões irreais que geram sofrimento e afetam a relação com o próprio corpo e com a alimentação”, alerta Ana Franciane.

Para a nutricionista, é fundamental promover uma relação mais saudável com a comida, baseada no equilíbrio e não na culpa.

“Alimentação saudável não significa restrição extrema. Comer deve ser um ato de cuidado e não de sofrimento. Quando a alimentação passa a provocar medo, ansiedade ou culpa frequente, é importante procurar ajuda especializada.”

Neste Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, a mensagem dos especialistas é clara: informação, acolhimento e diagnóstico precoce são ferramentas essenciais para combater o problema e reduzir os estigmas que ainda cercam essas doenças.

“Falar sobre o tema é uma forma de salvar vidas. Quanto mais conhecimento e acolhimento existirem, mais pessoas poderão buscar tratamento e recuperação”, conclui.

Foto: Divulgação