Junho chega trazendo bandeirinhas, forró, encontros em família e uma mesa repleta de sabores que fazem parte da identidade nordestina. Milho cozido, pamonha, canjica, mungunzá, bolo de milho e pé de moleque são algumas das delícias que atravessam gerações e ajudam a construir as memórias afetivas do São João.
Mas, junto com as festas, também surgem preocupações relacionadas à alimentação. Muitas pessoas acreditam que precisam evitar as comidas típicas ou que alguns dias fora da rotina podem comprometer todo o esforço dedicado à saúde ao longo do ano.
Na prática, segundo a nutricionista Clarine Souza, colunista do Radar Fitness, o problema não costuma estar na pamonha, na canjica ou em qualquer outro prato tradicional. O que pode gerar desconforto é a relação que algumas pessoas estabelecem com a comida nesse período. Pensamentos como “já que saí da dieta, vou aproveitar para exagerar” acabam criando um ciclo que transforma um momento de celebração em motivo de culpa.
A boa notícia é que é possível aproveitar as festas juninas sem abrir mão do equilíbrio. “Escolher os alimentos de forma consciente, respeitar os sinais de fome e saciedade e priorizar aquilo que realmente faz sentido para você são atitudes que ajudam a tornar a experiência mais leve e prazerosa”, explica a nutricionista.
Outro ponto importante é manter uma rotina alimentar minimamente organizada ao longo do dia. Passar muitas horas sem comer para compensar uma festa à noite, por exemplo, pode aumentar a chance de excessos. O foco não deve ser a restrição, mas o equilíbrio.
Além dos sabores, as festas juninas carregam encontros, tradições e momentos de convivência que também fazem parte do bem-estar. Sentar-se à mesa com amigos e familiares, compartilhar histórias e celebrar a cultura popular são experiências que vão muito além dos nutrientes presentes nos alimentos.
No fim das contas, saúde não é definida por uma refeição ou por alguns dias diferentes da rotina. Ela é construída ao longo do tempo, a partir de hábitos consistentes. Aproveitar o São João com moderação, sem culpa e com prazer, pode ser uma das formas mais saudáveis de viver essa tradição.