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Aos 75 anos, ele decidiu recomeçar. Aos 93, continua colecionando maratonas e sonhos

Natural de Petrolina, Francisco Lima encontrou na corrida um novo propósito de vida. Hoje, aos 93 anos, soma 171 maratonas, mantém uma rotina intensa de treinos e prova que nunca é tarde para escrever um novo capítulo.

13/07/2026

Quem olha para Seu Francisco Lima cruzando uma linha de chegada dificilmente imagina que a corrida entrou em sua vida quando muita gente acredita que já passou da hora de começar um novo desafio. Foi somente aos 75 anos, em 2008, que o pernambucano natural de Petrolina calçou um tênis para disputar sua primeira prova. Dezoito anos depois, aos 93, ele soma 171 maratonas, mantém uma rotina intensa de treinos e segue fazendo planos para o futuro. No último final de semana seu Francisco participou  do New Balance 42K Porto Alegre.

Morando há 25 anos em Goiânia (GO), Francisco construiu uma vida longe das pistas. Trabalhou como motorista, representante comercial e com reciclagem, criou 10 filhos e nunca imaginou que encontraria no esporte uma paixão capaz de transformar sua rotina.

A paixão pela corrida nasceu ainda na infância. Quando era menino, Francisco gostava de correr pelas ruas, mas o pai não aprovava. Como castigo, o colocava para correr pela lavoura durante o dia, espantando os pássaros que ameaçavam a plantação. O que parecia uma punição acabou fortalecendo seu sonho e, décadas depois, já aos 75 anos, transformou aquele gosto de infância em um esporte que mudaria sua vida.

A estreia nas competições já mostrou que ele não tinha medo de desafios. Sua primeira prova oficial foi uma ultramaratona de 200 quilômetros, disputada durante 24 horas, em Campinas (SP). Francisco concluiu o percurso em 18 horas.

Desde então, nunca mais parou

“Foi uma experiência indescritível”, resume ao lembrar daquela primeira corrida.

Ao longo dos anos, participou de provas em diversos países, como Estados Unidos, Argentina, Peru, Paraguai, Uruguai, além de já estar se preparando para correr na Alemanha. Apesar da experiência acumulada, ele garante que ainda tem metas importantes pela frente.

“Quero completar 200 maratonas e fazer uma maratona reunindo 100 idosos e 100 jovens.”

A disposição impressiona tanto quanto o currículo esportivo. Francisco corre dois dias por semana, complementa a preparação com musculação, faz aulas de dança e ainda dedica parte da rotina à música. Apaixonado por cantar, mantém um repertório com canções de diferentes estilos.

O cuidado com a saúde também faz parte dessa trajetória. Ele conta que realiza acompanhamento profissional e afirma nunca ter enfrentado problemas de saúde. “Minha pressão é 9 por 6”, diz com orgulho.

Quando questionado sobre como encara o envelhecimento, responde com a simplicidade de quem encontrou um propósito na vida.

“Com alegria, velocidade e honestidade.”

Para quem acredita que não existe uma idade certa para começar a praticar atividade física, Francisco deixa uma mensagem direta.

“Nunca é tarde. As pessoas têm que fazer o que gostam e ser felizes.”

Aos corredores mais jovens, aconselha que priorizem a saúde e evitem o uso de estimulantes e energéticos. Para ele, o segredo está na constância e no respeito ao próprio corpo.

Quem convive com Francisco percebe que sua história inspira muito além das pistas. A corredora, empresária e escritora Priscilla Biancarelli conheceu o maratonista durante a Maratona Internacional de Praia Grande e se impressionou com o carinho que ele recebe dos demais atletas.

“As pessoas o ovacionam durante as provas. Muitas dizem que, quando crescerem, querem ser iguais a ele.”

A resposta vem sempre acompanhada do bom humor que se tornou uma de suas marcas.

“Pode ser agora. Não precisa esperar crescer.”

Enquanto segue treinando para alcançar a marca de 200 maratonas, Francisco mantém outro sonho guardado: saltar de paraquedas.

Afinal, para quem começou uma nova vida aos 75 anos, idade nunca foi limite para sonhar.

Fotos: Divulgação