Quem pratica atividade física ou passa muitas horas caminhando sabe a importância de um bom tênis. O que muita gente não percebe é que, mesmo sem rasgos ou sinais aparentes de desgaste, o calçado pode já ter perdido sua capacidade de proteger o corpo contra os impactos.
Segundo especialistas, a substituição do tênis não deve ser baseada apenas na aparência. Com o tempo de uso, o amortecimento diminui e isso pode alterar a forma de caminhar ou correr, favorecendo dores nos pés, tornozelos, joelhos, quadris e até na coluna.
De acordo com o ortopedista especialista em pé e tornozelo do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Recife (IOT), Dr. Carlos Henrique, o desgaste modifica a biomecânica da pisada e aumenta a sobrecarga nas articulações.
“Quando o calçado deixa de absorver adequadamente os impactos, o organismo precisa compensar esse esforço. Isso pode provocar fascite plantar, tendinites, dores nos joelhos e até desconfortos na coluna, especialmente em pessoas que caminham longas distâncias ou permanecem muito tempo em pé”, explica.
A preocupação é ainda maior entre corredores. Estudos da medicina esportiva apontam que a maioria dos tênis de corrida mantém suas características de amortecimento entre 500 e 800 quilômetros de uso, dependendo de fatores como peso do atleta, tipo de terreno e frequência dos treinos.
Além da quilometragem, alguns sinais indicam que está na hora da troca. Desgaste irregular da sola, perda de estabilidade, deformações na estrutura do calçado e desconforto durante caminhadas ou treinos são alguns dos principais indícios.
Outro erro comum é escolher o tênis apenas pelo design ou pelo preço. Segundo o especialista, cada modalidade exige características específicas de estabilidade e amortecimento, e um modelo ideal para corrida, por exemplo, pode não ser o mais indicado para musculação ou esportes com mudanças rápidas de direção.
Para o ortopedista, trocar o calçado no momento certo é uma medida simples, mas importante para prevenir lesões. “Muitas pessoas procuram tratamento para dores persistentes, mas continuam utilizando um tênis que já perdeu sua função. Em alguns casos, a substituição do calçado, associada a uma avaliação da pisada, já contribui para uma melhora significativa”, destaca.
A recomendação é observar não apenas a aparência do tênis, mas também seu desempenho durante o uso. Afinal, um calçado em boas condições faz parte dos cuidados essenciais para quem busca praticar atividade física com mais segurança e conforto.