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Cansaço e falta de ar podem esconder problemas nas válvulas do coração

Valvopatias podem evoluir durante anos sem sintomas e, quando não acompanhadas, comprometem o funcionamento cardíaco

25/08/2026

Aquele cansaço que aparece durante uma caminhada, a falta de ar ao subir poucos lances de escada ou até uma tontura que parece sem importância podem ter uma causa que nem sempre é lembrada: alterações nas válvulas do coração.

Conhecidas como valvopatias, essas doenças afetam as quatro válvulas cardíacas, aórtica, mitral, tricúspide e pulmonar, responsáveis por controlar a passagem do sangue pelo coração. Em alguns casos, a alteração pode permanecer por anos sem provocar sintomas importantes.

Entre os sinais que merecem atenção estão falta de ar, cansaço excessivo, palpitações, dor no peito, tontura e episódios de desmaio.

Segundo a cirurgiã cardiovascular do Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular (RICCA), Dra. Fabiana Oliveira, a presença de uma alteração em uma válvula não significa necessariamente que o paciente precise ser submetido imediatamente a um procedimento.

“Existem pacientes que podem permanecer durante anos apenas em acompanhamento. A decisão de intervir depende da gravidade da lesão, dos sintomas e do impacto sobre o funcionamento do coração”, explica.

O que acontece nas válvulas?

As valvopatias podem ocorrer principalmente de duas formas. Na estenose, a válvula fica estreita e dificulta a passagem do sangue. Já na insuficiência, ela não consegue fechar adequadamente, permitindo que parte do sangue retorne.

A estenose aórtica, por exemplo, é mais frequente com o avanço da idade. Conforme a doença progride, o coração precisa trabalhar mais para conseguir bombear o sangue, o que pode levar ao enfraquecimento do músculo cardíaco e, em casos mais avançados, à insuficiência cardíaca.

Por isso, sintomas como falta de ar e redução da capacidade para realizar atividades que antes eram feitas normalmente não devem ser automaticamente associados ao envelhecimento.

“Muitas vezes, o paciente acredita que está apenas mais cansado por causa da idade e demora a procurar atendimento”, alerta a especialista.

Diagnóstico e tratamento

A investigação começa com a avaliação médica e pode incluir exames como o ecocardiograma, que permite identificar a válvula afetada e avaliar a gravidade da alteração.

O tratamento varia conforme o tipo e a intensidade da doença e as condições de cada paciente. Em alguns casos, o acompanhamento médico é suficiente. Medicamentos também podem ser utilizados para controlar sintomas e condições associadas, embora não sejam capazes de corrigir alterações estruturais graves das válvulas.

Quando existe indicação de intervenção, o tratamento pode envolver cirurgia para reparo ou substituição da válvula. Em situações específicas, também podem ser utilizados procedimentos por cateter, como o TAVI, técnica empregada principalmente na substituição da válvula aórtica em determinados pacientes.

“A escolha entre acompanhamento clínico, procedimento por cateter ou cirurgia precisa ser individualizada. Hoje contamos com diferentes estratégias para buscar o melhor equilíbrio entre segurança, durabilidade e benefício para cada paciente”, afirma Dra. Fabiana.

Para a especialista, reconhecer os sintomas e investigar as alterações no momento adequado pode fazer diferença na evolução da doença.

“O objetivo é não antecipar um procedimento desnecessariamente, mas também não esperar até que o músculo cardíaco esteja comprometido. O tempo certo faz diferença no resultado do tratamento e na qualidade de vida”, conclui.