Quando o assunto é saúde do coração, suplementos podem até fazer parte da estratégia em situações específicas, mas não ocupam o lugar de uma alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e acompanhamento profissional. A orientação da American Heart Association destaca a importância de uma alimentação rica em vegetais, frutas, grãos integrais, fibras e fontes de gorduras insaturadas para a saúde cardiovascular.
Entre os suplementos e componentes nutricionais mais estudados estão o ômega-3, os beta-glucanos, o psyllium, os fitoesteróis, a coenzima Q10 e o magnésio. Os efeitos, porém, são diferentes e dependem das condições de saúde e da forma de utilização.
Ômega-3
O ômega-3, especialmente EPA e DHA, tem evidências consistentes para a redução dos triglicerídeos em pessoas com níveis elevados. A American Heart Association aponta que 4 g por dia de ômega-3 de prescrição podem reduzir os triglicerídeos em cerca de 20% a 30%. Isso não significa, porém, que qualquer suplemento comercial de ômega-3 tenha o mesmo efeito.
Fibras solúveis
Beta-glucanos, encontrados principalmente na aveia e na cevada, ajudam a reduzir o colesterol LDL. A FDA reconhece evidências para o consumo de pelo menos 3 g por dia de beta-glucana proveniente de aveia ou cevada dentro das condições previstas para a alegação de saúde.
O psyllium também é uma fibra solúvel que pode contribuir para a redução do LDL e para o controle glicêmico. A inclusão dessas fibras na alimentação pode ser uma alternativa importante antes de pensar exclusivamente em cápsulas ou outros suplementos.
Fitoesteróis
Os fitoesteróis e fitoestanóis reduzem a absorção intestinal de colesterol. Segundo a EFSA, o consumo diário de cerca de 1,5 a 2,4 g pode produzir uma redução média de aproximadamente 7% a 10,5% no colesterol sanguíneo. A própria entidade ressalta, porém, que não há estudos demonstrando diretamente redução de mortalidade ou eventos cardiovasculares atribuível aos fitoesteróis.
Magnésio
O mineral participa de diversas funções do organismo, incluindo contração muscular e condução elétrica do coração. A suplementação pode ser indicada quando existe deficiência ou em situações específicas, mas não há justificativa para o uso indiscriminado por pessoas que já apresentam níveis adequados.
Coenzima Q10
A coenzima Q10 também é estudada em doenças cardiovasculares, especialmente na insuficiência cardíaca. Nesse caso, as evidências devem ser interpretadas dentro do contexto de pacientes que já possuem a doença e utilizam a substância como complemento ao tratamento, e não como uma recomendação geral para prevenção cardiovascular.
Suplemento não é sinônimo de prevenção
Um dos principais cuidados é não confundir a melhora de um marcador, como colesterol ou triglicerídeos, com a comprovação de redução de infarto, AVC ou mortalidade cardiovascular.
Diretrizes da American Heart Association e do American College of Cardiology ressaltam que suplementos nutricionais de venda livre não têm evidência suficiente para serem considerados estratégia de redução de eventos cardiovasculares agudos em pacientes com doença coronariana crônica.
Por isso, a indicação de qualquer suplemento deve considerar alimentação, exames, condições de saúde, medicamentos em uso e necessidades individuais. Em caso de colesterol ou triglicerídeos elevados, hipertensão, diabetes ou outros fatores de risco, a avaliação de um profissional de saúde continua sendo fundamental.
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