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A inflamação invisível que prejudica o desempenho: a saúde bucal que afasta atletas do treino

01/12/2025

A boca pode ser a origem de um problema que muitos atletas – profissionais ou amadores – demoram a perceber: inflamações silenciosas capazes de derrubar energia, comprometer a resistência e limitar a recuperação muscular. Nos últimos anos, pesquisas têm reforçado a ligação direta entre saúde bucal e performance física, mostrando que quadros como periodontite, fraturas dentárias e próteses mal adaptadas desencadeiam respostas inflamatórias que reverberam por todo o organismo.

O cirurgião-dentista e implantodontista Juliano Borelli explica que o impacto é bem mais comum do que se imagina. “Atletas chegam ao consultório relatando cansaço fora do normal, dores difusas ou dificuldade de recuperação pós-treino, sem desconfiar que o problema começa na boca. Quando há inflamação periodontal, substâncias são liberadas na corrente sanguínea e afetam força, resistência e até o tempo de treino. É uma interferência silenciosa, porém extremamente potente”, afirma.

E não são apenas inflamações que influenciam o rendimento. Próteses antigas, desalinhadas ou instáveis também podem prejudicar o desempenho durante atividades intensas. Microtraumas provocados pelo impacto repetitivo da corrida ou pela contração da musculatura na musculação podem gerar alterações na mordida, tensões faciais e até episódios de bruxismo.
“Uma prótese desajustada modifica toda a dinâmica da mordida. Isso sobrecarrega músculos, causa desconfortos e cria compensações que o atleta não associa ao problema bucal. Pequenos desalinhamentos se transformam em grandes interferências na rotina de treino”, reforça Borelli.

O corpo, porém, dá sinais antes que o quadro evolua. Sangramento gengival, sensibilidade exagerada, mau hálito persistente, dor ao mastigar, estalos na ATM e próteses que balançam são alertas que não devem ser ignorados.
“O atleta é atento ao joelho, à coluna, ao sono – mas quase nunca à boca. Porém, manter a mastigação funcional, respirar bem e evitar processos inflamatórios é essencial para treinar melhor e recuperar mais rápido”, destaca o especialista.

Com o crescimento do número de corredores, praticantes de musculação e esportes de alto impacto, profissionais da saúde reforçam que a saúde bucal precisa ser encarada como parte do preparo físico. Ela influencia a biomecânica, a energia e até a resposta inflamatória do corpo.

Para Borelli, a mensagem é direta: “Saúde bucal não é estética para quem pratica esporte. É desempenho. Cuidar da boca é cuidar do corpo inteiro.”

Sobre o especialista

Juliano Borelli é cirurgião-dentista com mais de 20 anos de carreira no Brasil e na Europa, referência em implantodontia e reabilitação oral voltada para qualidade de vida. Formado pela Universidade de Mogi das Cruzes (SP), é mestre e especialista em Implantodontia pela São Leopoldo Mandic, com pós-graduação em Prótese sobre Implante pela Associação Brasileira de Odontologia. Atuou profissionalmente em Portugal e soma mais de 10 mil implantes realizados, unindo técnica refinada, tecnologia de ponta e uma abordagem integrada de saúde, bem-estar e desempenho funcional.