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Alerta da Anvisa sobre pancreatite associada a medicamentos para emagrecimento

09/02/2026

O aumento do uso de medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade e do sobrepeso, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, tem acendido um sinal de alerta entre autoridades sanitárias e profissionais de saúde. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um comunicado apontando o crescimento no número de notificações de casos suspeitos de pancreatite aguda associados ao uso desses fármacos, incluindo a investigação de seis mortes no Brasil.

Os medicamentos pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, entre outros. Eles são aprovados para uso médico em situações específicas, como no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, atuando na redução do apetite e na melhora do controle metabólico. No entanto, assim como qualquer medicamento, podem provocar efeitos adversos, entre eles a pancreatite  inflamação do pâncreas que pode evoluir para quadros graves.

De acordo com dados do sistema de farmacovigilância VigiMed, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025 foram registradas mais de 145 notificações suspeitas de pancreatite relacionadas ao uso desses medicamentos. O número de relatos apresentou crescimento progressivo ao longo dos anos, com destaque para 2025, que concentrou 45 notificações. Em seis casos, houve desfecho com morte sob investigação.

A Anvisa ressalta que essas notificações são baseadas em relatos espontâneos e não estabelecem, por si só, uma relação causal direta entre o uso do medicamento e os eventos adversos. Ainda assim, o aumento dos registros reforça a necessidade de atenção, especialmente diante do uso indiscriminado, fora das indicações clínicas e sem acompanhamento profissional.

Para o médico especialista em emagrecimento Dr. Diego Rodrigues, o alerta deve ser encarado como uma medida de conscientização, e não como motivo de alarme. “A comunicação da Anvisa reforça que as canetas emagrecedoras devem ser utilizadas apenas quando bem indicadas e sempre com acompanhamento médico adequado. Não se trata de pânico, mas de responsabilidade”, explica.

O especialista também chama atenção para os riscos associados à aquisição de medicamentos por meios irregulares. “O uso de produtos sem prescrição, contrabandeados ou falsificados aumenta significativamente o risco de efeitos adversos graves e coloca a saúde do paciente em perigo”, alerta Dr. Rodrigues.

Segundo ele, a avaliação individualizada é fundamental para identificar fatores de risco, histórico clínico e a real necessidade do uso de medicamentos. O tratamento da obesidade e do sobrepeso deve ser personalizado, combinando mudanças no estilo de vida, orientação nutricional, prática de atividade física e, quando indicado, terapia medicamentosa sob supervisão profissional.

Pacientes que fazem uso de medicamentos para emagrecimento e apresentem sintomas como dor abdominal intensa, dor irradiada para as costas, náuseas persistentes ou vômitos devem procurar atendimento médico imediato.

Fotos: Divulgação