Nos siga e fale conosco

Chuva, frio e corrida: como proteger a imunidade e manter os treinos com segurança

Nutricionista esportivo orienta corredores sobre alimentação, hidratação e cuidados para evitar queda no desempenho e problemas de saúde durante o inverno

06/06/2026

Com a chegada do período chuvoso, muitos corredores passam a ter uma preocupação em comum: será que treinar no frio e na chuva aumenta o risco de adoecer? Entre gripes, resfriados e receio de queda da imunidade, surge também a dúvida sobre quais cuidados realmente fazem diferença para manter a saúde e o desempenho em dia.

Segundo o nutricionista esportivo Zé Ricardo, formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e com estudos direcionados para corrida, emagrecimento e comportamento alimentar, o clima chuvoso exige atenção, mas não deve ser motivo para abandonar os treinos.

“A imunidade é multifatorial. O tempo frio e permanecer muito tempo com a roupa molhada depois da corrida podem impactar um pouco, mas não justificam parar de correr por medo de adoecer”, explica.

Ele ressalta que o risco de infecções costuma ser maior em ambientes fechados e com grande circulação de pessoas, devido ao contato com vírus. Já nos treinos ao ar livre, um cuidado importante é evitar locais alagados, onde existe maior risco de infecções como a leptospirose, além de perigos como curtos elétricos.

Treino intenso também exige recuperação

De acordo com o especialista, existe, sim, uma pequena “janela” de baixa da imunidade após treinos muito intensos. Porém, quando se observa o cenário a longo prazo, praticar atividade física regularmente tende a fortalecer o organismo.

“Após um treino intenso pode existir uma redução temporária da imunidade, mas uma pessoa ativa está muito mais protegida do que alguém sedentário”, afirma.

Para evitar que o corpo fique mais vulnerável, ele destaca a importância de respeitar a progressão dos treinos e garantir alimentação suficiente para recuperação.

“Quando o corredor exagera no volume ou intensidade sem oferecer combustível adequado ao corpo, o organismo fica tão ocupado tentando se recuperar que acaba deixando a imunidade um pouco de lado”, alerta.

Alimentação equilibrada é a melhor aliada

Quando o assunto é fortalecer a imunidade, Zé Ricardo reforça que não existe fórmula mágica ou alimento milagroso.

“Não existe nutriente mágico. O segredo está na variedade alimentar”, pontua.

Ele recomenda evitar dietas muito restritivas e priorizar o consumo de frutas, verduras e alimentos naturais, ricos em micronutrientes e compostos bioativos. Entre os alimentos com boa oferta de vitamina C estão acerola, goiaba, limão e laranja, mas o nutricionista faz um alerta sobre exageros.

“O excesso de vitamina C, especialmente por suplementação sem necessidade, pode aumentar o risco de pedra nos rins e até prejudicar adaptações importantes da corrida”, explica.

Segundo ele, a alimentação deve ser vista dentro de um contexto mais amplo e não apenas como um “remédio” para prevenir doenças.

“Esqueça a ideia de um alimento milagroso para gripe ou imunidade. A magia está na variedade, porque cada alimento oferece compostos diferentes para o organismo.”

Hidratação segue indispensável, mesmo no frio

Se no calor a garrafinha costuma acompanhar o corredor, nos dias frios muita gente acaba esquecendo de beber água. E esse é um erro comum.

“A sede demora mais para aparecer no frio, mas a hidratação continua sendo prioridade. Sede já é sinal de desidratação”, orienta.

Embora a necessidade hídrica possa diminuir um pouco devido à menor perda de suor, ele recomenda manter atenção à ingestão de líquidos e usar a coloração da urina como parâmetro.

“Nunca deixe o xixi amarelar demais”, aconselha.

Jejum e suplementos: quando valem a pena?

Sobre o treino em jejum, o nutricionista afirma que a estratégia pode funcionar, desde que a alimentação do restante do dia esteja adequada.

“O problema é quando o jejum vira desculpa para negligenciar a qualidade alimentar. Sem um bom planejamento, isso pode impactar, sim, a imunidade”, afirma.

Já em relação aos suplementos, ele destaca que nem sempre são necessários, especialmente quando o foco é imunidade.

“Na maioria dos casos, comida de verdade dá conta. Suplementos podem entrar como praticidade ou para performance na corrida, mas não são obrigatórios”, explica.

Quando procurar um nutricionista?

Para quem deseja evoluir na corrida, emagrecer, ganhar massa muscular ou aumentar intensidade e distância nos treinos, o acompanhamento nutricional pode ajudar a evitar lesões, melhorar recuperação e até economizar com produtos desnecessários.

“O ideal é procurar orientação quando quiser levar a corrida um pouco mais a sério e alinhar alimentação às demandas do treino”, conclui.

Fotos: Divulgação