Psicóloga Michéli Meira destaca o papel do exercício físico no cuidado com a saúde mental
A Síndrome de Burnout tem sido cada vez mais identificada entre profissionais de diversas áreas. Mais do que um cansaço passageiro, trata-se de um esgotamento físico e emocional profundo, causado por um estresse prolongado no ambiente de trabalho. “Os principais sintomas incluem fadiga extrema, insônia, dores no corpo, irritabilidade, tristeza e uma perda de interesse por atividades antes prazerosas. Com o tempo, a pessoa tende a se isolar, o que a torna ainda mais vulnerável ao estresse”, explica a psicóloga Michéli Meira, especialista em desenvolvimento humano e fundadora da Pontis Consultoria.
Diante desse cenário, Michéli aponta a atividade física como uma aliada importante, tanto na prevenção quanto no tratamento da síndrome. “Exercícios aeróbicos, como caminhada e corrida,
auxiliam na liberação de endorfinas e reduzem os níveis de ansiedade. Já práticas como yoga e pilates melhoram a qualidade do sono e aumentam a energia. Atividades de força, como a musculação, também contribuem para o fortalecimento da autoestima e da autoconfiança”, afirma.
Para quem está enfrentando o Burnout, a psicóloga recomenda começar devagar, priorizando atividades que promovam relaxamento e consciência corporal. “Yoga, pilates e caminhadas leves são ótimas opções iniciais. À medida que a pessoa ganha mais energia e equilíbrio emocional, outras modalidades podem ser incluídas”, orienta.
Os benefícios vão além do aspecto físico. A prática regular de exercícios impacta positivamente o humor, melhora a qualidade do sono e alivia os sintomas de ansiedade e estresse. “O bem-estar gerado pelo movimento é um componente essencial no processo de recuperação e prevenção do Burnout”, ressalta Michéli.
No entanto, ela faz um alerta: é fundamental respeitar os limites do corpo. “Antes de iniciar qualquer rotina de exercícios, é importante consultar um médico ou educador físico. Em momentos de fragilidade emocional e física, o cuidado precisa ser redobrado”, adverte. Além disso, a psicóloga reforça que o exercício deve ser visto como um complemento ao tratamento psicológico e, se necessário, medicamentoso. “A abordagem multidisciplinar é a mais eficaz para a recuperação”, pontua.
Com ampla experiência em programas de saúde corporativa, Michéli tem acompanhado inúmeros casos de pessoas que encontraram na atividade física uma forma de retomar o prazer e o equilíbrio. “Seja qual for a atividade, o essencial é encontrar uma prática que faça sentido para cada um. O ritmo é individual e deve respeitar as possibilidades de cada corpo e mente”, afirma.
Ela também chama a atenção para os obstáculos comuns enfrentados por quem vive o Burnout. “Falta de motivação, sensação de culpa e cansaço excessivo são frequentes. Por isso, é importante começar com metas pequenas, celebrar cada avanço e, acima de tudo, escolher atividades que tragam prazer”, recomenda.
“A recuperação do Burnout é um processo que exige paciência, acolhimento e persistência. A atividade física pode ser uma grande aliada, mas é essencial respeitar seus limites e contar com apoio profissional. Cada passo, por menor que pareça, é um avanço. A cura é possível e você não está sozinho”, aconselha.
Fotos: Gabi Maistrovicz