Veja as orientações do profissional de educação física, Elton Alves, e da obstetra, Patrícia Lima
Com 39 semanas e prestes a dar à luz do primeiro filho, a arquiteta Marina Ferreira, de 31 anos, mantém firme a prática que sempre a acompanhou: os treinos. Ela é o retrato da mãe fitness — que alia bem-estar, ciência, tecnologia e, claro, muita responsabilidade ao longo da gravidez. Com orientação profissional e liberação médica desde o início da gestação, Marina garante que chegou à reta final se sentindo mais forte, disposta e emocionalmente equilibrada.
“Todos os treinos da Marina foram planejados pensando na segurança e nas adaptações que o corpo da mulher precisa ao longo da gestação. Cada trimestre exige um cuidado específico, e é fundamental que esses treinos sejam prescritos por quem entende das mudanças fisiológicas da gestante”, explica o personal Elton Alves.
Durante esses nove meses, Marina acompanhou os exercícios por meio de um aplicativo, com treinos moderados e adaptados à sua evolução corporal e com constantes feedbacks entre ela e o seu treinador. “Os treinos me ajudaram muito com a disposição e com as dores comuns nesse período. Senti mais controle emocional, menos inchaço e, sem dúvida, meu corpo está mais preparado para o parto”, destaca Marina.
A experiência da arquiteta é um exemplo de que a gestação não precisa ser sinônimo de sedentarismo. Pelo contrário: com supervisão profissional e escuta ao corpo, o exercício pode ser um grande aliado para o bem-estar em todas as fases — inclusive no momento mais esperado: o parto. E ela já adianta: assim que for liberada pela obstetra, pretende retomar os treinos, agora com o bebê por perto.
A obstetra Patrícia Lima afirma que a prática de exercícios físicos, na gestação, é segura e indicada. “Entretanto, é essencial que a gestante consulte seu obstetra antes de iniciar qualquer atividade física, para avaliar a segurança e adequar a intensidade e o tipo e exercício”, recomenda. Segundo a médica, a atividade física traz inúmeros benefícios para a saúde da mãe e do bebê. “Ajuda no controle de peso, melhora a capacidade cardiovascular, alivia dores lombares e reduz o risco de diabetes gestacional e pré-eclâmpsia”, afirma.
De acordo com a médica, o hábito de se exercitar também prepara o corpo para dar à luz, por fortalece os músculos do assoalho pélvico, o que pode facilitar o parto e reduzir o risco de incontinência urinária. Ela cita algumas atividades recomendadas durante a gravidez: caminhada, natação e hidroginástica também são boas opções para a gestante. “ As duas últimas, por serem na água, aliviam a pressão sobre as articulações e, ao mesmo tempo, fortalecem os músculos”, afirma Patrícia.
A Yoga e o pilates promovem alongamento, flexibilidade e fortalecimento muscular. Já a musculação pode ser praticada, desde que com supervisão de um profissional qualificado e com foco em exercícios de menor peso e maior repetição.
Apesar de aconselhar a prática dessas atividades físicas, a obstetra faz algumas recomendações: evitar esportes de contato, como futebol, basquete e luta, porque aumentam o risco de lesões e impactos na barriga. Equitação e patinação também entram nessa lista, pois, além do alto risco de queda, podem ser arriscadas. “Atividades de alta intensidade sobrecarregam o coração e o sistema nervoso, devendo ser evitadas”, recomenda a médica.
A gestante também deve ficar atenta a sinais de alerta. “Se ela sentir dor, fadiga excessiva, falta de ar ou qualquer outro sintoma incomum, deve interromper o exercício físico e consultar, o quanto antes, seu obstetra”, aconselha Patrícia.
Fotos: Marina Branco, Karla Carneiro e Marina Ferreira