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HIIT é para todo mundo? Atente aos riscos do treino sem acompanhamento

30/05/2025

O HIIT — sigla em inglês para High-Intensity Interval Training, ou Treinamento Intervalado de Alta Intensidade — ganhou popularidade nos últimos anos entre quem busca resultados rápidos em pouco tempo de treino. A proposta da metodologia é simples: alternar períodos curtos de esforço intenso com momentos de recuperação ativa ou descanso. Mas, apesar dos benefícios que a prática pode trazer, especialistas alertam que o HIIT não é indicado para qualquer pessoa sem avaliação adequada e acompanhamento profissional.

Embora tenha ganhado destaque recentemente, o HIIT não é uma invenção moderna. A metodologia já era utilizada por atletas de alto rendimento no início do século XX, especialmente em modalidades como corridas de curta e longa distância. Com a popularização do termo a partir dos anos 1980, o HIIT se consolidou como uma alternativa eficiente para melhorar o condicionamento cardiovascular, otimizar a queima calórica e estimular o metabolismo. Estudos recentes demonstram inclusive que esse tipo de treino pode continuar promovendo gasto energético mesmo após o término do exercício.

Apesar das vantagens, o HIIT requer cuidados. A educadora física Laísa Buarque, especialista em Exercício Clínico pela Universidade de Pernambuco, explica que a intensidade do treino precisa ser ajustada à realidade de cada praticante. “É preciso que o profissional de educação física que vai prescrever de fato avalie as condições físicas e de saúde do aluno, pois existem algumas ressalvas para prática do HIT por determinados grupos específicos como pessoas com Diabetes, Hipertensão, Doenças Cardiovasculares”, afirma.

Segundo ela, mesmo alunos saudáveis devem passar por uma avaliação física detalhada antes de iniciar treinos com intensidade elevada. “O HIIT será uma boa opção de treino para quem tem pouco tempo, desde que esse aluno tenha um condicionamento físico preparado para realizar atividade desse tipo. Para quem já faz exercício físico regular, o HIIT é sim uma forma de maximizar ganhos com treinos curtos”, completa.

Qualidade é mais importante que quantidade

De acordo com a especialista, o tempo de treino – um dos atrativos para quem opta pelo HIT – não é o principal fator para alcançar bons resultados. A forma como os exercícios são executados (com atenção à técnica, intensidade e intervalos) é o que faz a diferença. “Há pessoas que treinam 30 minutos com foco total e têm ótimos resultados. Outras passam duas horas na academia com baixa intensidade e pouca eficiência”, explica Laísa. “O mais importante é que o treino esteja alinhado com os objetivos e a condição física de cada um”.

Cuidado com treinos por vídeo e aplicativos

Com a popularização de vídeos de treino nas redes sociais e aplicativos de fitness, cresce o risco de pessoas seguirem programas sem qualquer orientação profissional. Por isso, Laísa faz um alerta. “Treinar por conta própria, sem saber como está sua saúde, é como tomar remédio sem saber qual é o diagnóstico. Para quem tem alguma condição clínica, os riscos são ainda maiores.”

Mesmo os aplicativos de treino, que podem ser úteis para pessoas saudáveis, devem ser usados com cautela. A recomendação da especialista é que a prescrição venha sempre acompanhada de uma avaliação física e acompanhamento profissional, mesmo que à distância. “O grande risco desses vídeos disponíveis nas redes é que, por vezes, quem vai realizá-los desconhece qualquer problema de saúde. Então, é coerente procurar um médico para investigar qualquer condição que possa ser prejudicada pela prática. Se ele conhece e tem boa saúde, é importante ainda procurar um profissional de educação física para realizar sua avaliação e, a partir daí, realizar a sua prescrição”, orienta.

O HIIT pode ser um aliado na busca por condicionamento, emagrecimento e saúde, desde que seja praticado com orientação adequada. Consultar um profissional de Educação Física habilitado e realizar avaliações periódicas são passos essenciais para garantir que o treino seja seguro e eficiente, levando em consideração ainda o princípio da adaptabilidade do organismo. “Oriento meus alunos a realizarem uma avaliação física a cada três meses e, a partir dos resultados da avaliação, busco fazer as alterações necessárias e ajustes de acordo com os objetivos”, finaliza Laísa.

Fotos: Divulgação