Por muito tempo, o infarto foi associado principalmente ao envelhecimento. Hoje, no entanto, especialistas observam uma mudança preocupante nesse cenário: cada vez mais adultos jovens, incluindo pessoas com menos de 40 anos, têm sido diagnosticados com doenças cardiovasculares graves.
O aumento dos casos tem chamado a atenção da comunidade médica e reforçado a necessidade de discutir fatores de risco que se tornaram comuns na rotina moderna. Sedentarismo, alimentação inadequada, excesso de estresse, noites mal dormidas, consumo excessivo de álcool, uso de cigarros eletrônicos e anabolizantes estão entre os principais vilões.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no país. Ao mesmo tempo, cresce o número de ocorrências em pessoas em idade produtiva, muitas vezes sem histórico prévio de problemas cardíacos.
Para a cirurgiã cardiovascular Dra. Manuella Muniz, do Real Instituto de Cirurgia Cardiovascular (Ricca), o estilo de vida acelerado tem contribuído diretamente para esse cenário.
“Hoje vemos jovens submetidos a níveis elevados de estresse, ansiedade, privação de sono e má alimentação. Muitos acreditam que doenças cardíacas só surgem após os 60 anos e acabam negligenciando consultas e exames preventivos. Esse pensamento precisa mudar”, afirma.
Outro desafio é que os sintomas costumam ser ignorados ou confundidos com outros problemas, atrasando a busca por atendimento médico. Dor no peito, falta de ar, suor excessivo, palpitações e desconforto que se irradia para o braço, costas ou mandíbula são sinais que exigem atenção imediata.
“Independentemente da idade, sintomas como esses nunca devem ser banalizados. O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de recuperação e reduzir complicações”, alerta a especialista.
Os médicos também demonstram preocupação com o crescimento do uso de cigarros eletrônicos e anabolizantes entre jovens adultos. Essas substâncias podem favorecer o desenvolvimento de hipertensão, alterações cardíacas, arritmias e aumentar significativamente o risco de infarto.
Embora o cenário seja preocupante, a prevenção continua sendo a principal ferramenta para proteger a saúde do coração. A prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, o controle do estresse, a qualidade do sono e a realização periódica de exames médicos ajudam a reduzir os fatores de risco e contribuem para uma vida mais saudável.
Mais do que uma doença da terceira idade, o infarto tornou-se um alerta para todas as gerações. Cuidar do coração desde cedo pode fazer toda a diferença no futuro.
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