Durante muito tempo, o joanete foi encarado apenas como uma questão estética. A deformidade, porém, pode ir muito além da aparência. Quando evolui, pode provocar dor, dificultar o uso de calçados e até modificar a maneira de caminhar, gerando sobrecarga em outras articulações.
Conhecido como hálux valgo, o joanete está entre as deformidades mais comuns dos pés e é mais frequente entre as mulheres. Entre os fatores associados estão a predisposição genética, alterações na estrutura dos pés e o uso frequente de calçados estreitos ou de salto alto.
Para o ortopedista especialista em pé e tornozelo do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Recife (IOT), Dr. Ricardo Villar, um dos principais erros é esperar a dor ficar intensa para procurar atendimento.
“O joanete é uma deformidade progressiva. Quanto mais cedo o paciente procura avaliação, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar o agravamento do desalinhamento do pé”, explica.
Além da saliência na base do dedão, o problema pode provocar dor, inflamação, dificuldade para encontrar calçados confortáveis e alterações na marcha. Em casos mais avançados, a mudança na forma de pisar pode aumentar a sobrecarga sobre tornozelos, joelhos, quadris e coluna.
Nem todo joanete precisa de cirurgia
O tratamento depende do grau da deformidade e dos sintomas apresentados pelo paciente. Nos casos iniciais, medidas como a escolha de calçados mais adequados, palmilhas, fisioterapia e acompanhamento com ortopedista podem ajudar no controle do quadro.
A cirurgia costuma ser considerada quando existe dor persistente, limitação funcional ou impacto significativo na qualidade de vida.
“Hoje contamos com diferentes técnicas cirúrgicas, e a indicação depende das características de cada caso. O objetivo é corrigir a deformidade e melhorar a função do pé”, explica Villar.
O especialista também chama atenção para um equívoco comum: atribuir o surgimento do joanete exclusivamente ao uso de salto alto.
“A predisposição genética é um dos principais fatores. O calçado inadequado costuma acelerar a evolução de uma deformidade que já existia”, afirma.
Quando procurar um ortopedista?
Dor recorrente na região do dedão, aumento da saliência, dificuldade para usar determinados calçados ou alterações na forma de caminhar são sinais que merecem avaliação.
Para quem pratica corrida, caminhada, musculação ou outras atividades físicas, cuidar da saúde dos pés é especialmente importante. Alterações na pisada podem interferir na distribuição das cargas durante o movimento e, dependendo do caso, comprometer o conforto e o desempenho.
“O objetivo do tratamento não é apenas aliviar a dor, mas impedir que o problema evolua e comprometa a qualidade de vida. Cuidar cedo significa manter a autonomia e continuar realizando as atividades do dia a dia com conforto”, conclui o ortopedista.
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