O Julho Amarelo é dedicado à conscientização sobre as hepatites virais, mas também chama atenção para outro problema que cresce de forma silenciosa: a esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado.
Muito além do consumo excessivo de álcool, a doença está cada vez mais ligada ao excesso de peso, ao sedentarismo e aos maus hábitos alimentares. Quando não é tratada, pode evoluir para quadros mais graves, como inflamação do fígado, cirrose e até câncer.
Segundo o profissional de Educação Física Jauan Anselmo, especialista em fisiologia do exercício, a prática regular de atividades físicas é uma das principais estratégias não medicamentosas para reduzir a gordura acumulada no órgão.
“Quando diminuímos a gordura corporal e preservamos a massa muscular, contribuímos diretamente para a saúde do fígado. Muitas pessoas treinam pensando apenas na estética, mas também estão protegendo um órgão essencial para o funcionamento do organismo”, explica.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em parceria com a Novo
Nordisk mostrou que, embora a maioria dos brasileiros demonstre preocupação com o diagnóstico de gordura no fígado, grande parte da população nunca realizou exames para investigar a doença. O levantamento também aponta que o aumento do sobrepeso e da obesidade favorece o crescimento dos casos de esteatose hepática.
Musculação também faz diferença
Além dos exercícios aeróbicos, o treinamento de força tem papel importante na prevenção e no tratamento da doença. Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificou redução significativa da gordura no fígado em animais obesos submetidos a um programa de musculação moderada.
Para Jauan, isso reforça a importância da manutenção da massa muscular durante o processo de emagrecimento.
“A musculatura melhora o metabolismo, favorece o uso da gordura como fonte de energia e aumenta a sensibilidade à insulina. O objetivo não deve ser apenas perder peso, mas preservar a massa muscular com um treinamento adequado”, destaca.
Exercício deve ser orientado
As diretrizes da Sociedade Brasileira de Hepatologia recomendam que pessoas com esteatose pratiquem pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica por semana, associados a sessões de musculação. No entanto, o especialista alerta que o treinamento deve ser individualizado.
“Cada pessoa possui necessidades e limitações diferentes. Um programa elaborado por um profissional garante mais segurança, melhores resultados e reduz o risco de lesões”, afirma.
A combinação entre exercícios físicos, alimentação equilibrada e acompanhamento multiprofissional é considerada uma das formas mais eficazes de prevenir e controlar a gordura no fígado, reforçando a importância da adoção de hábitos saudáveis ao longo da vida.