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Maria Esther: A pequena sereia do São Francisco

Com apenas onze anos, a juazeirense encanta em travessias de águas abertas e sonha alto: das margens do Velho Chico para o mundo

25/07/2025

Por trás do sorriso tímido e dos olhos atentos de Maria Esther Santos, há a força de uma campeã. Aos 11 anos, essa pequena gigante de Juazeiro (BA) já carrega títulos que muitos atletas adultos sonham. Esse mês, foi a grande vencedora da 3ª Travessia das Sereias, uma prova de águas abertas no majestoso Rio São Francisco, a sua segunda vez como participante da competição. Com um tempo impressionante de 23 minutos e 48 segundos nos 2.500 metros, ela não apenas venceu sua categoria, conquistou o primeiro lugar geral entre mais de 130 mulheres.

Essa foi apenas mais uma vitória em um currículo já admirável. Maria Esther também se sagrou campeã da tradicional Travessia Mar Grande x Salvador (modalidade kids), uma das provas mais desafiadoras da natação em águas abertas no Brasil. Foi ainda 3ª colocada geral na Travessia Mãe Malvada e recebeu o prêmio de segunda melhor nadadora do Vale do São Francisco, sendo destaque na competição local com pódios gerais nas travessias promovidas pela Arca Sport.

Mas o que impressiona ainda mais do que os troféus é a história por trás dessa conquista. Maria Esther começou a nadar muito cedo, com apenas seis meses de vida. Desde cedo, é apaixonada pelo Rio São Francisco. Seu passatempo preferido era visitar a Ilha do Fogo, onde passava horas brincando e se encantando com a natureza. Mas, foi entre os dois e três anos de idade que aprendeu de fato. A primeira aula, ela lembra com a ajuda da mãe, Angelita Nunes, não foi das mais fáceis. “Eu chorei. Eu não queria ficar na água. Mas minha mãe me deixava lá, mesmo chorando. E foi assim que eu aprendi”, conta com a sinceridade doce de quem ainda está descobrindo o mundo.

Foi justamente a mãe, sua maior incentivadora, quem percebeu desde cedo o talento da filha. Presente em todas as competições, ela não deixa de acompanhá-la, mesmo que, na maioria das vezes, quem a leve aos treinos seja a tia. “Minha mãe é tudo pra mim, é a minha fortaleza”, diz Esther, emocionada.

A rotina puxada de uma campeã mirim

Esther começa o dia bem cedo. Entra na escola às 6h30 e, depois das aulas, ainda passa na banca de estudos antes de seguir para o treino, que começa às 17h. Nada por mais de uma hora, quase todos os dias. A rotina é intensa, mas ela encara com alegria e maturidade: “Minha mãe me disse que a medalha a gente ganha no treino. Na competição, a gente só vai buscar”, repete, com sabedoria.

E não é só de natação que vive a pequena atleta. Esther gosta de brincar, pintar, tocar flauta, andar de bicicleta, jogar queimada. “E eu amo dormir!”, completa, rindo. No tempo livre, também gosta de arrumar o quarto. “Limpar eu não gosto muito, mas arrumar eu gosto”, confessa.

Apesar de treinar principalmente em piscina, o grande amor de Maria Esther é o rio. “A piscina é legal, mas no rio… no rio tem correnteza, tem marola, tem paisagem. É lindo. O rio é a minha casa.”

Ela começou a nadar no São Francisco aos seis anos, mas só por brincadeira. Aos nove, entrou para uma assessoria especializada em natação em águas abertas. Desde então, vem conquistando cada vez mais espaço no cenário competitivo.

Uma vitória que começou com vontade de desistir

Curiosamente, na véspera da Travessia das Sereias, no dia 13 de julho, Esther não queria ir. Estava triste, desanimada. Só foi mesmo porque a prima e companheira de treinos, Maria Fernanda, a incentivou. “Se não fosse por ela, eu nem teria ido. E no fim, conquistei o primeiro lugar geral!”, conta, com brilho nos olhos.

O tempo que ela fez (23 minutos) foi bem melhor do que os 24 ou 25 que costumava marcar em treinos. “Fiquei muito feliz. Foi o meu melhor desempenho, e acho que foi pelos treinos duros que fiz com meu treinador, Lorival”, explica.

Um futuro com sonhos

Maria Esther sonha em ir para as Olimpíadas. Mas também quer ser psicóloga ou perita criminal. Ainda está descobrindo seus caminhos, como toda criança. E dia que tudo depende dos planos de Deus.

Ela se inspira em seu treinador, Lourival Quirino, que é pentacampeão da Travessia Mar Grande – Salvador; na atleta Leca (Alessandra Melo), primeira mulher a realizar a travessia Salvador–Morro de São Paulo em menos de 24 horas; e, principalmente, na sua mãe.

Nas próximas semanas, ela tem uma agenda cheia: vai competir em Salvador no Campeonato Baiano, depois participa da Maratona Aquática de Rodrigo, e ainda em agosto nada em Curaçá, terra natal da mãe.

Se pudesse dar um conselho a outras crianças que querem aprender a nadar, Maria Esther não hesita: “Comece e não tenha medo. O medo te paralisa. Se você tiver medo, você não vai pra lugar nenhum. Você não chega.”

Quem a ouve, talvez esqueça por um instante que está diante de uma menina de apenas onze anos. Porque dentro dela já habita uma atleta, com força, foco e um coração que bate forte pelas águas do Velho Chico.

 

Fotos: Cedidas pela mãe da atleta