Manter o corpo ativo ao longo da vida pode fazer diferença até em situações críticas de saúde, como internações prolongadas em unidades de terapia intensiva (UTI). É o que reforça o conceito de “reserva fisiológica”, que relaciona o nível de condicionamento físico à capacidade do organismo de enfrentar doenças graves.
A ideia é simples: quanto maior a massa muscular e o preparo cardiorrespiratório, maior tende a ser a capacidade do corpo de resistir a períodos de estresse intenso, como cirurgias, infecções ou longas internações.
Durante esses quadros, a perda de massa muscular pode acontecer rapidamente, impactando não apenas a força, mas funções básicas como respiração, deglutição e autonomia após a alta hospitalar.
“O corpo entra em um estado de catabolismo desde o início da internação, consumindo músculo de forma acelerada. Isso compromete a recuperação”, explica o médico paliativista da Clínica Florence Recife, primeiro hospital de transição de cuidados do Norte e Nordeste, Wagner Reis.
Segundo ele, pessoas com melhor condicionamento físico tendem a ter uma “reserva funcional” maior, o que ajuda o organismo a lidar melhor com o processo de adoecimento e reabilitação.
A perda muscular, no entanto, não afeta apenas a mobilidade. Em alguns casos, o paciente pode ter capacidade pulmonar suficiente para sair da ventilação mecânica, mas ainda depender do suporte devido à fraqueza muscular generalizada.
O especialista reforça que a atividade física não é garantia de recuperação mais rápida, mas funciona como um fator de proteção importante ao longo da vida. Caminhadas, musculação e exercícios regulares já contribuem para ampliar essa reserva fisiológica e melhorar o ponto de partida do organismo em situações críticas.
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