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Obesidade já atinge 1 em cada 4 brasileiros e preocupa especialistas

03/03/2026

O Dia Mundial da Obesidade, lembrado nesta quarta-feira (4), reforça um cenário que exige atenção urgente: mais da metade dos adultos brasileiros apresenta excesso de peso e cerca de 25% já vive com obesidade. O dado, divulgado pelo Ministério da Saúde e pelo IBGE, confirma o avanço de uma condição que deixou de ser questão estética para se consolidar como uma das principais crises de saúde pública do país.

Segundo o médico Rafael Coelho, diretor do Instituto Coelho e especialista no tratamento da obesidade, é fundamental mudar a forma como a doença é encarada.

“A obesidade é uma doença crônica, progressiva e multifatorial. Não se trata de falta de força de vontade. Existe influência genética, hormonal, ambiental e comportamental. É uma condição médica que precisa de diagnóstico e acompanhamento”, afirma.

Doenças associadas surgem cada vez mais cedo

Entre as principais complicações associadas estão diabetes tipo 2, hipertensão arterial, esteatose hepática, apneia do sono, dislipidemia e doenças cardiovasculares. O que mais preocupa os especialistas é o surgimento precoce dessas condições.

“O diagnóstico de diabetes tipo 2 em adolescentes, que antes era raro, hoje faz parte da rotina clínica. O excesso de tecido adiposo provoca alterações inflamatórias e hormonais que comprometem o metabolismo de forma silenciosa”, explica o médico.

A obesidade favorece a resistência à insulina, eleva a pressão arterial e altera os níveis de colesterol e triglicerídeos — combinação que aumenta significativamente o risco de infarto e acidente vascular cerebral ao longo da vida.

Para Rafael Coelho, o grande desafio é a busca tardia por ajuda. “Muitos pacientes só procuram atendimento quando as complicações já estão instaladas. Precisamos antecipar o cuidado.”

Tratamento exige estratégia individualizada

O especialista reforça que não existe solução única. O tratamento pode envolver reeducação alimentar estruturada, atividade física orientada, acompanhamento psicológico, medicação específica e, em alguns casos, cirurgia bariátrica.

“Cada paciente tem um perfil metabólico próprio. A conduta deve ser personalizada e acompanhada de perto para avaliar riscos cardiovasculares e doenças associadas”, destaca.

Além disso, o estigma ainda é uma barreira importante. “Quando a obesidade é tratada como falha individual, o paciente se afasta do cuidado. O preconceito atrasa intervenções que poderiam prevenir complicações graves.”

Canetas emagrecedoras: avanço científico com responsabilidade

Nos últimos anos, medicamentos injetáveis para controle do peso ganharam visibilidade e passaram a ser conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. Para o especialista, os fármacos representam um avanço relevante, mas não substituem acompanhamento médico.

“Eles atuam em mecanismos hormonais que regulam fome, saciedade e metabolismo. São ferramentas importantes, principalmente para pacientes com sobrepeso associado a comorbidades. Porém, não são soluções mágicas”, afirma.

O uso sem prescrição é motivo de alerta. “A automedicação pode provocar efeitos adversos, mascarar doenças e comprometer resultados. A dose precisa ser ajustada e o paciente monitorado.”

Segundo ele, a medicação deve integrar um plano terapêutico mais amplo. “A obesidade exige estratégia de longo prazo e mudança de estilo de vida. Não existe tratamento eficaz sem acompanhamento contínuo.”

Diagnóstico precoce é prevenção

Para Rafael Coelho, tratar obesidade é investir na prevenção de doenças graves como infarto, AVC e insuficiência renal.

“Precisamos entender que obesidade tem base científica, tem tratamento e tem acompanhamento. O que não pode existir é negligência ou condução sem orientação profissional.”

Fotos: Divulgação