No ritmo acelerado do frevo, do maracatu e dos blocos de rua, o corpo também entra na folia – muitas vezes além do que está preparado para aguentar. Em meio ao sobe e desce das ladeiras, horas em pé e passos repetitivos, o risco de dores e lesões aumenta. Por isso, atenção e prevenção fazem toda a diferença para curtir o Carnaval até o último acorde.
O ortopedista Sormane Britto, especialista em metabolismo, fisiologia do exercício, healthtech e inovação, destaca que preparar o corpo antes da festa é uma das melhores formas de evitar problemas.
“Quem já sabe que vai exagerar um pouco na folia deve pensar nisso como uma carga extra para o organismo. Alongamentos, atividades aeróbicas e musculação, feitos com orientação, ajudam a prevenir câimbras, inflamações e lesões, além de garantir mais disposição para brincar”, explica.
Mas mesmo quem deixou a preparação de lado ainda pode se cuidar. Antes de sair de casa, vale investir em alongamentos rápidos, alimentação leve, hidratação adequada e roupas confortáveis. Durante a festa, pequenas pausas para descanso e respeito aos limites do corpo ajudam a evitar sobrecargas.
Calçado certo faz toda a diferença
Outro ponto que merece atenção é o calçado. De acordo com o médico, tornozelos e joelhos absorvem grande parte do impacto dos movimentos e da permanência em pé.
“Saltos inadequados, principalmente em ladeiras ou nos passos rápidos do frevo, aumentam o risco de torções, lesões ligamentares e até fraturas”, alerta.
A recomendação é optar por tênis ou sapatos sem salto, que garantem mais estabilidade. Para quem trabalha em eventos, camarotes ou recepções e precisa usar
salto, o ideal é escolher modelos mais baixos e grossos, além de fazer pausas para alongar as pernas e descansar. A coluna lombar também sofre com movimentos repetitivos e exageros na dança, podendo gerar dores e inflamações.
Fique atento aos sinais do corpo
Manter uma alimentação equilibrada e beber água com frequência ajudam o organismo a suportar o ritmo intenso dos dias de folia. E, se surgirem dores, inchaço ou dificuldade para caminhar, o alerta é claro.
“Se os sintomas não melhorarem com repouso, gelo e analgésicos simples, é importante procurar avaliação médica. Ignorar sinais pode transformar uma lesão simples em um problema mais sério”, reforça Sormane Britto.