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Treinar a mente também faz parte da performance

15/06/2026

Durante muito tempo, o desempenho esportivo foi associado principalmente à preparação física. Hoje, no entanto, a ciência mostra que foco, tomada de decisão, tempo de reação e controle emocional dependem diretamente do cérebro.

Nesse contexto, a neuromodulação vem ganhando espaço entre atletas, executivos e pessoas que buscam melhorar a qualidade de vida. A técnica utiliza tecnologias não invasivas capazes de influenciar o funcionamento cerebral, auxiliando processos relacionados à atenção, humor, sono e desempenho cognitivo.

“O cérebro é literalmente o centro de comando da performance. Antes do músculo executar qualquer movimento, existe um processamento cerebral relacionado à atenção, leitura de ambiente, velocidade de resposta, controle emocional e tomada de decisão”, explica André Valença, engenheiro, neurocientista e fundador da Neuropolo.

Segundo ele, a crescente procura pela neuromodulação acompanha uma mudança na forma como as pessoas enxergam a saúde. “O mundo ficou mais acelerado, mais exigente cognitivamente e emocionalmente mais desgastante. A neurociência saiu do ambiente exclusivamente hospitalar e passou a dialogar diretamente com qualidade de vida e performance.”

Entre as técnicas mais utilizadas estão a estimulação magnética transcraniana e o neurofeedback. A estimulação magnética utiliza campos magnéticos para modular regiões específicas do cérebro relacionadas ao foco, humor e regulação emocional. Já o neurofeedback funciona como um treinamento cerebral em tempo real, permitindo que a pessoa aprenda a desenvolver padrões mais eficientes de funcionamento neural.

Embora o tema seja frequentemente associado ao esporte de alto rendimento, a aplicação vai muito além das competições.

“Uma mãe sobrecarregada, um estudante, um profissional exausto, alguém com insônia ou ansiedade também pode se beneficiar. O cérebro humano moderno vive em constante sobrecarga. A neuromodulação ajuda justamente na regulação dessa carga”, afirma Valença.

Entre os benefícios mais relatados estão melhora da concentração, da qualidade do sono, da organização mental e da capacidade de lidar com situações estressantes. Estudos também apontam resultados positivos em casos de ansiedade, depressão, burnout e distúrbios do sono, sempre com acompanhamento profissional adequado.

O especialista alerta, porém, que a busca por performance mental não deve ser confundida com produtividade sem limites.

“Alta performance não deveria significar transformar o ser humano em máquina. O cérebro também precisa de recuperação, descanso e equilíbrio emocional”, ressalta.

Apesar de serem considerados seguros quando realizados por profissionais qualificados, os procedimentos exigem avaliação individual e possuem contraindicações específicas. Por isso, a recomendação é procurar profissionais que trabalhem com protocolos baseados em evidências científicas e acompanhamento personalizado.

Para Valença, o maior equívoco sobre o tema ainda é acreditar que performance cerebral significa apenas produzir mais. “Na prática, um cérebro de alta performance é aquele que mantém clareza mental, equilíbrio emocional, qualidade de sono, foco e capacidade de recuperação diante do estresse.”

Fotos: Divulgação