Nos siga e fale conosco

Treino intenso: até onde o esforço faz bem ao coração?

Exercícios ajudam na prevenção das doenças cardiovasculares, mas progressão, recuperação e atenção aos sinais do corpo são importantes para quem busca treinos de alta intensidade

29/09/2026

No Dia Mundial do Coração, celebrado nesta terça-feira (29), vale lembrar que manter o corpo em movimento é uma das atitudes que contribuem para a saúde cardiovascular. Corrida, musculação, ciclismo, natação e outras modalidades fazem parte da rotina de quem busca mais condicionamento, saúde e qualidade de vida.

Mas, para quem treina forte ou está aumentando o volume e a intensidade dos exercícios, existe um cuidado importante: mais treino não significa necessariamente mais saúde.

As doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas provocam cerca de 17,9 milhões de mortes por ano. No Brasil, doenças do aparelho circulatório, infarto e AVC também estão entre as principais causas de mortalidade.

Ao mesmo tempo em que o sedentarismo é um importante fator de risco cardiovascular, treinos muito intensos sem progressão adequada e períodos suficientes de recuperação podem levar a sobrecarga física, especialmente em pessoas com condições de saúde ainda não identificadas.

“O aumento da intensidade e do volume de exercício pode ultrapassar a capacidade do corpo de recuperação. Os benefícios aparecem quando existe equilíbrio entre intensidade, frequência, recuperação e a condição clínica de cada pessoa”, explica o cardiologista e especialista em Medicina do Exercício e do Esporte Rafael Buarque, do Hospital Santa Joana Recife.

Quando é hora de reduzir o ritmo?

Queda persistente no rendimento, cansaço que não melhora com o descanso, aumento incomum da frequência cardíaca em repouso e recuperação mais demorada podem indicar que o organismo precisa de mais tempo para se recuperar.

Alguns sinais, porém, exigem atenção imediata. Dor ou desconforto no peito, desmaio, tontura importante, palpitações intensas e falta de ar desproporcional ao esforço não devem ser ignorados.

“Nem toda sobrecarga cardiovascular gera sintomas imediatos. Por isso, a avaliação clínica pré-participação e periódica é importante, sobretudo para quem realiza treinamentos intensos”, alerta o cardiologista.

Intensidade com planejamento

Para quem pretende sair de treinos leves e partir para modalidades ou provas mais exigentes, como corridas de longa distância, HIIT ou cross training, a orientação é evoluir gradualmente.

“O primeiro passo é não começar pelo intenso. O ideal é construir condicionamento progressivamente, respeitando o nível atual de cada pessoa”, orienta Rafael.

Avaliação médica, quando indicada, pode ajudar a identificar fatores de risco e orientar a prática esportiva. O planejamento do treino, a alimentação adequada, o descanso e o acompanhamento de profissionais também fazem parte de uma rotina segura.

No fim das contas, cuidar do coração não significa fugir dos desafios. Para quem gosta de treinar e superar metas, significa aprender a evoluir com consciência, respeitando o próprio corpo e dando a ele tempo para se recuperar.