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Aos 60 anos, Luiz Aragão percorre 2.200 km em quatro meses pela Volta ao Rio

Expedição combinou caminhada, bicicleta e caiaque e serviu para testar a logística de uma das maiores trilhas de longo curso do estado

22/09/2026

Aos 60 anos, Luiz Aragão voltou ao ponto de onde havia partido quatro meses antes com uma bagagem que vai muito além dos quilômetros percorridos. O mineiro, que mora em Taubaté (SP), completou 2.200 km da Trilha Volta ao Rio após 127 dias de uma aventura que reuniu caminhada, bicicleta e caiaque por diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro.

A jornada começou em 1º de maio, no Cristo Redentor, dentro do Parque Nacional da Tijuca, e terminou no mesmo local na terça-feira (8). A missão de Aragão foi colocar à prova, na prática, o percurso e a logística da nova trilha de longo curso, que terá cerca de 3.500 km quando estiver totalmente estruturada.

Durante a expedição, ele registrou informações que poderão ajudar futuros visitantes, como tempo de deslocamento, pontos de hospedagem, água, resgate, alimentação e outros serviços de apoio. Também avaliou como integrar os diferentes meios de deslocamento previstos na rota.

“Ao olhar nos olhos das pessoas mais simples, ao ver quem me abriu a porta de casa sem nem me conhecer, eu voltei a ter esperança. Volto dessa caminhada muito mais otimista em relação ao ser humano”, contou Aragão.

Uma aventura em três modalidades

Um dos diferenciais da Volta ao Rio é justamente a possibilidade de percorrer seus trechos de diferentes formas. Aragão alternou a caminhada com pedaladas e trechos de navegação.

Entre os momentos mais desafiadores esteve a navegação por rios e lagoas. Ele passou dias remando sozinho e percorreu cerca de 100 km pelo Rio Paraíba do Sul. A subida entre o Vale do Paraíba e a Serra da Mantiqueira também exigiu bastante esforço durante os trechos de bicicleta.

“O verdadeiro desafio técnico foi testar a logística da multimodalidade: alternar da bota de caminhada para o pedal e depois entrar no caiaque com mochila e tudo”, relatou.

Apesar dos mais de quatro meses de viagem, Aragão não teve acidentes durante a expedição. Aos 60 anos, ele diz que não se considera um trilheiro profissional e conta que mantém a forma com exercícios em academia.

Uma grande trilha pelo Rio de Janeiro

A Volta ao Rio conecta diferentes caminhos e unidades de conservação e já envolve mais de 50 municípios. A proposta é, futuramente, integrar os 92 municípios fluminenses por meio de uma grande rede de trilhas.

O percurso passa por áreas como os parques nacionais da Tijuca, Serra dos Órgãos e Itatiaia e pelo Parque Estadual dos Três Picos, além de regiões de montanha, áreas rurais, rios, lagoas e litoral.

A expectativa é que a estruturação da rota também fortaleça o turismo de natureza e gere oportunidades para comunidades que vivem ao longo do percurso, como pequenos produtores, pousadas e condutores de visitantes.

Para Aragão, a presença de pessoas nas trilhas também pode contribuir para a conservação das áreas naturais. Os dados reunidos durante a expedição serão utilizados no aprimoramento da Volta ao Rio e no planejamento para quem quiser conhecer seus diferentes trechos no futuro.

Fotos: Divulgação