Cruzar mais de 5 mil quilômetros, deixar o emprego e a família para trás e apostar tudo em um sonho. Foi assim que o roraimense Wilbert Pereira, de 37 anos, chegou à Serra dos Morgados, em Jaguarari (BA), para participar de um camping de treinamento com a Associação Petrolinense de Atletismo (APA).
Açougueiro por profissão e corredor por paixão, Wilbert passou um ano se planejando para viver essa experiência. “Deixei minha esposa grávida de três meses para estar aqui. Não foi fácil, nem barato, mas cada centavo está valendo a pena. Isso é um investimento na minha vida”, conta.
Mais do que uma busca por performance, a corrida representa uma virada pessoal. “Eu bebia, fumava, tinha vícios. A corrida me salvou, me colocou no caminho certo. Hoje eu vivo por esse esporte”, afirma o atleta, que pediu demissão do trabalho para se dedicar ao período de treinos.
Na APA, Wilbert encontrou uma rotina intensa e um ambiente de troca com atletas de várias partes do Brasil. Para o treinador Marciano Barros, a presença do roraimense vai além do aspecto técnico.
“Ele chegou com humildade, disciplina e uma vontade enorme de evoluir. A história dele inspira toda a equipe”, destaca.
O atleta permanece no camping até depois do Carnaval, totalizando cerca de 30 dias de preparação. E já pensa no futuro.
“Vou voltar para casa mais forte e com ainda mais vontade. Quero retornar em 2027 para continuar evoluindo”, projeta.
Referência nacional, a APA Petrolina atua há 22 anos no Sertão do São Francisco, unindo alto rendimento e inclusão social. Com projetos que atendem centenas de crianças e atletas, o clube se consolidou como um dos principais polos do atletismo olímpico e paralímpico do Nordeste – e agora também como ponto de encontro de sonhos vindos de todo o Brasil.
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