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Futebol americano: o que as colisões podem causar à saúde cerebral

Concussões podem acontecer mesmo sem perda de consciência, enquanto impactos repetitivos também preocupam especialistas

26/09/2026

A chegada da NFL ao Brasil, com o jogo entre Dallas Cowboys e Baltimore Ravens no Maracanã, coloca o futebol americano em evidência e  chama atenção para um aspecto importante da modalidade: a saúde cerebral dos atletas.

As colisões fazem parte do esporte e podem provocar diferentes tipos de lesões. Segundo o neurocirurgião Pedro Góes, da Casa de Saúde São José, a concussão está entre as mais comuns e pode ocorrer após uma pancada ou um movimento brusco de aceleração, desaceleração ou rotação da cabeça.

Um ponto importante é que a concussão não necessariamente provoca perda de consciência. Dor de cabeça, tontura, desequilíbrio, náusea, alterações na visão, confusão, dificuldade de concentração ou memória e mudanças de comportamento estão entre os sinais de alerta.

Impactos mais fortes também podem causar contusões cerebrais e sangramentos. Já os chamados impactos subconcussivos, que podem não provocar sintomas imediatos, despertam preocupação quando acontecem repetidamente ao longo da carreira esportiva.

A exposição frequente a traumatismos cranianos está associada a estudos sobre a encefalopatia traumática crônica (ETC), uma doença neurodegenerativa que pode provocar alterações de memória, comportamento e outras funções neurológicas. A relação, porém, envolve diferentes fatores e continua sendo estudada pela ciência.

“O capacete oferece proteção contra diversos tipos de trauma, mas não consegue impedir completamente que o cérebro sofra com os movimentos provocados por uma colisão”, explica Pedro Góes.

Por isso, a prevenção vai além do equipamento. Técnica adequada, cumprimento das regras de segurança, identificação rápida dos sinais de concussão e acompanhamento médico são medidas importantes para reduzir os riscos.

Após uma colisão, sinais como perda de consciência, confusão intensa, convulsões, vômitos repetidos, fraqueza, alterações da fala ou dor de cabeça intensa e progressiva exigem atendimento médico imediato.

Mesmo sem esses sintomas, diante de uma suspeita de concussão, o atleta deve ser retirado da atividade e avaliado por uma equipe médica. O retorno ao esporte precisa acontecer de forma gradual e com liberação profissional.

No futebol americano, uma das medidas de prevenção é evitar que a cabeça seja utilizada como primeiro ponto de contato durante o tackle, movimento usado para derrubar ou interromper o avanço do adversário.

Para o neurocirurgião, o desafio é preservar a intensidade e a característica do esporte, sem deixar de lado a segurança dos atletas.

“O objetivo não é tirar a intensidade do futebol americano, mas permitir mais segurança para o esporte”, afirma.