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Movimento e saúde mental na infância

Atividade física, quando prazerosa e adequada à idade, pode contribuir para o bem-estar emocional, a socialização e uma rotina mais equilibrada

29/09/2026

Falar sobre saúde mental na infância e na adolescência é cada vez mais necessário. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos convive com algum transtorno mental. No Brasil, estudos também apontam crescimento de casos de autolesão e suicídio entre os mais jovens, reforçando a importância da prevenção, da escuta e do cuidado.

Nesse cenário, a atividade física pode ser uma importante aliada. Esportes, brincadeiras, caminhadas, dança e outras formas de movimento ajudam não apenas no desenvolvimento físico, mas também podem favorecer a socialização, reduzir o estresse e proporcionar momentos de convivência e prazer.

“Quando crianças e adolescentes se movimentam, seja por meio de esportes, brincadeiras ou atividades do dia a dia, eles não estão trabalhando apenas o físico, mas também o bem-estar psicológico e a socialização”, explica Max Dornelas, professor de Educação Física da UNIFG Pernambuco.

Movimento sem obrigação

A rotina de crianças e adolescentes também é marcada pelo tempo diante das telas. Celulares, jogos e redes sociais fazem parte do cotidiano, mas o excesso pode diminuir o tempo destinado ao sono, à convivência e às atividades físicas.

Para o educador físico, o desafio não é simplesmente afastar os jovens da tecnologia, mas oferecer alternativas que despertem interesse.

“O problema não é a tecnologia em si, mas quando ela ocupa o espaço que deveria ser destinado ao movimento e às interações sociais”, afirma.

Por isso, atividades que tenham significado para cada criança ou adolescente tendem a ser mais fáceis de incorporar à rotina. Brincar, praticar um esporte, andar de bicicleta, dançar ou simplesmente sair para caminhar podem ser formas de colocar o corpo em movimento.

A OMS recomenda que crianças e adolescentes de 5 a 17 anos realizem, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a vigorosa ao longo da semana. A prática pode estar presente em brincadeiras, esportes, deslocamentos ativos e aulas de Educação Física.

Um hábito que começa em casa

O incentivo à atividade física também passa pela família. Criar oportunidades para brincar, praticar esportes e realizar atividades ao ar livre, além de manter o diálogo aberto, pode ajudar a construir uma rotina mais equilibrada.

Mas é importante lembrar que atividade física não substitui acompanhamento psicológico ou médico quando existe sofrimento emocional ou algum transtorno mental. Nesses casos, o suporte profissional é fundamental.

No Setembro Amarelo, falar de saúde mental também significa estimular ambientes de acolhimento, escuta e convivência. E, dentro de uma rotina saudável, o movimento pode ocupar um espaço importante: como uma experiência de prazer, conexão e cuidado.

Fotos: Divulgação