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Caminhada reúne população em defesa da doação de órgãos

Mobilização no Recife reuniu transplantados, profissionais de saúde, familiares e pessoas que aguardam por um transplante

27/09/2026

A Caminhada do Setembro Verde reuniu, neste domingo (27), no Recife, transplantados, profissionais de saúde, familiares de doadores, pessoas que aguardam por um transplante e a população em geral em uma mobilização pela doação de órgãos e tecidos.

Realizada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), por meio da Central de Transplantes, a terceira edição da caminhada faz parte da programação do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação.

Em Pernambuco, 3.985 pessoas aguardam atualmente por um transplante. De janeiro a agosto deste ano, foram realizados 1.379 procedimentos, número 8,1% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 1.276 transplantes.

Entre os procedimentos, os transplantes de córnea tiveram o maior crescimento, passando de 614 para 746, uma alta de 21,5%. Também foram realizados 304 transplantes de rim, 225 de medula óssea, 74 de fígado, 17 de coração e oito de valva, além de transplantes combinados.

Para quem já recebeu um órgão, a doação representa uma nova oportunidade de vida. É o caso de Agaliane Balbino, que recebeu um transplante de coração em 2017, após um ano e seis meses de espera.

“Eu era doadora de órgãos, mas nunca passou pela minha cabeça que seria eu a precisar de um órgão transplantado”, contou. Depois do procedimento, ela pôde acompanhar momentos importantes da família, como a formatura da neta e sua entrada na faculdade.

Enquanto alguns celebram a chance de recomeçar, outras famílias ainda vivem a expectativa. É o caso de Elisangela Gomes e Ailton José da Silva, pais de Maria Luiza, de 11 anos. A menina está internada no Recife e aguarda há quase dois anos por um coração compatível.

A família já recebeu a notícia de um possível doador, mas o órgão não era compatível. “Quando o telefone toca é uma mistura de sentimentos: esperança e  medo”, relatou Ailton.

Para a Central de Transplantes, a caminhada também é um convite para ampliar o diálogo sobre o tema. A doação de órgãos depende da autorização da família após a morte encefálica do potencial doador. Por isso, manifestar em vida o desejo de doar e conversar com os familiares sobre essa decisão é fundamental.

“Se você acha que vale a pena ajudar outras pessoas, salvar a vida de outras pessoas, então você tem que informar à sua família que você é doador”, destacou André Bezerra, coordenador da Central de Transplantes de Pernambuco.

Foto: Viviane Ramos