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Quando suplementar demais também pode fazer mal

05/09/2026

Por Dr. Gustavo Miranda

Vitaminas, minerais, proteínas, antioxidantes e uma infinidade de outros suplementos ocupam cada vez mais espaço nas prateleiras e nas redes sociais. Muitas vezes, são apresentados como atalhos para ter mais energia, melhorar a imunidade, prevenir doenças ou retardar o envelhecimento. Essa oferta crescente ajudou a criar a percepção de que, se determinado produto é vendido como “natural” ou contém nutrientes importantes para o organismo, seu consumo só poderia trazer benefícios. Mas a realidade é que não é bem assim.

Suplementação tem papel importante na medicina. Deficiências nutricionais documentadas, algumas doenças, situações de má absorção, determinadas fases da vida e necessidades específicas relacionadas à alimentação ou ao treinamento podem justificar seu uso. Nesses cenários, identificar a necessidade, escolher a substância e definir a dose adequada pode trazer benefícios relevantes.

O problema começa quando suplementar passa a ser uma rotina indiscriminada. Nosso organismo precisa de vitaminas e minerais em determinadas quantidades, e mais não significa melhor. Algumas vitaminas podem se acumular no corpo e, em excesso, causar toxicidade. Doses elevadas de vitamina A, por exemplo, podem provocar alterações hepáticas e outros efeitos adversos. O excesso de vitamina D pode elevar perigosamente o cálcio no sangue e comprometer os rins. Minerais também não são inofensivos. Suplementações inadequadas podem causar toxicidade ou interferir na absorção e no metabolismo de outros nutrientes.

Existem ainda os riscos das interações. Suplementos podem modificar o efeito de medicamentos, aumentar risco de sangramento, interferir em exames laboratoriais ou simplesmente adicionar substâncias desnecessárias a tratamentos que já são complexos. Produtos comercializados para emagrecimento, ganho de massa ou melhora de performance merecem atenção adicional, especialmente quando sua composição não é suficientemente clara.

Outro equívoco frequente é tratar um número no exame, e não uma pessoa. Encontrar determinado nutriente próximo ou discretamente fora do intervalo de referência não significa automaticamente que exista uma deficiência clinicamente relevante ou que seja necessário suplementá-lo. Resultados laboratoriais precisam ser interpretados considerando sintomas, alimentação, doenças, medicamentos e contexto individual.

Talvez a pergunta mais útil antes de iniciar qualquer suplemento seja qual problema estou tentando resolver com isso? Se não existe uma boa resposta, vale reconsiderar.

Para a maioria das pessoas, nenhum conjunto de cápsulas substitui alimentação adequada, atividade física, sono de qualidade, controle dos fatores de risco e acompanhamento médico quando necessário.

Suplementos podem complementar esse caminho quando existe indicação. Transformá-los no próprio caminho, porém, pode significar gastar dinheiro sem benefício e, algumas vezes, acrescentar riscos onde antes eles não existiam.

Este artigo é assinado por colunista convidado(a). As opiniões e informações apresentadas são de responsabilidade do(a) autor(a) e não representam, necessariamente, a posição editorial do Radar Fitness.